domingo, 2 de outubro de 2011

ESTUDO DOUTRINÁRIO / JESUS NÃO É UMA MARCA

JESUS NÃO É UMA MARCA
A evangelização na era do consumo tem muito do discurso do marketing – mas a Igreja não pode oferecer o Evangelho como bem de consumo
A marca Jesus é uma das mais conhecidas e rentáveis do mundo. O nome do Filho de Deus acompanha a humanidade há dois milênios, resistiu a toda sorte de crises – da opressão romana no início da Era Cristã ao comunismo, das trevas da Idade Média ao ateísmo filosófico do século 19 – e é a razão da fé de pelo menos 2 bilhões de pessoas. Seus ensinos e as frases que disse em seu ministério terreno – como o genial “Dai a César o que é de César” ou o inquietante “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra” – fazem parte dos mais diversos cases de marketing.
Mas são justamente as estratégias empregadas na propagação do Evangelho que têm causado mais controvérsia. Esta é a questão que se levanta quando pesamos os métodos de evangelismo público por parte de igrejas marcadas pela cultura ocidental, saturadas pelo marketing.
Ora, qualquer secundarista sabe que marketing pode ser definido como todas as atividades que ajudam empreendedores a identificar e moldar o desejo de seu alvo, os consumidores – e, então, satisfaze-los mais do que seus competidores o fazem. Isso geralmente envolve pesquisas de mercado, análise das necessidades do cliente, e, então, decisões estratégicas sobre design de produtos, preços, promoções, propaganda e distribuição.
A Igreja enfrentou – e enfrenta – questões inevitáveis por escolher manter o evangelismo pessoal e testemunho público em uma sociedade marcada por uma cultura consumista. A primeira questão é: Será que devemos transformar em artigo de mercado a Igreja e a mensagem de Cristo? Podemos usar técnicas de marketing no cumprimento do “Ide” de Jesus?
Temos condições de mudar o meio sem afetar a mensagem? Ou será que o próprio meio do marketing mancha nossa pregação, fazendo-nos resistir até o último suspiro a toda acomodação à nossa cultura de consumo?
Parece evidente que, a menos que nos abstenhamos de toda forma de evangelismo, o marketing é inevitável. Se ele é a linguagem da nossa cultura, os cristãos devem ter fluência nele, da mesma forma que os missionários transculturais precisam dominar o idioma dos povos aonde vão atuar.
O marketing é apenas a última encarnação dos clássicos modelos evangelísticos, como a persuasão e o exemplo de vida. Por esta perspectiva, o erro estaria em fazer um marketing da Igreja de forma pobre, o que a faria parecer menos do que ela é – como uma marca indesejável – para um público de não cristãos. Deve-se ter em mente, também, que o marketing tem um problema: às vezes, ele leva as pessoas a fazer exatamente o oposto do desejado.
Conflitos com a vida cristã – Em outros termos, as pessoas que respondem ao marketing eclesiástico encaram Jesus como uma mercadoria. Este é o primeiro e grande problema, pois isso é blasfêmia: nós estamos falando sobre o Logos encarnado, e não sobre uma logo. Por outro lado (caso blasfêmia não seja o suficiente…),  isso deveria nos preocupar pelo problema que traz para o discipulado. O consumismo não é apenas um fenômeno social – é espiritual. Ele vem dos hábitos e comportamentos espirituais que conflitam com as práticas particulares da vida cristã.
Existem vários conflitos desta natureza, mas quatro se destacam como mais arriscados:
1. “Você é o que você compra” versus  senhorio de Cristo – Em uma sociedade consumista, a identidade das pessoas vem do elas consomem. O principal foco de uma sociedade consumista é o consumidor – o que é essencial. Marcas comerciais não fazem nada para abalar essa auto-suficiência fundamental; na verdade, elas dependem disso. A dinâmica é simples – nós pagamos pelo privilégio de algumas marcas porque gostamos do que elas fazem por nós. Em contrapartida, as marcas estão bastante satisfeitas em receber nosso dinheiro. Consumidores espirituais, portanto, haverão de se aproximar da Igreja com o mesmo narcisismo com o qual se aproximam das demais marcas, com questionamentos como: “O que estou expressando a meu respeito, caso eu compre a marca Jesus?”; ou “Como o cristianismo completará a visão que eu tenho de mim mesmo?”.
A implicação teológica disso é: eu pertenço a mim mesmo. Sou meu próprio projeto, meu próprio produto. Essa é uma terrível rejeição à glória que deve ser dada a Deus como Criador. O perigo está no fato de que a Igreja passa, com isso, a transformar rapidamente o Evangelho em mera ferramenta de preenchimento pessoal. Pregações e evangelismo que enfatizam apenas os benefícios de se tornar um crente apresentam uma mensagem não muito diferente das propagandas que falam sobre as vantagens de determinados modelos de carros, por exemplo. Essa atitude prejudica o crescimento dos discípulos rumo a uma vida centrada em Deus e no próximo. Sim, a vida cristã traz plenitude para além da imaginação; mas ela vem apenas quando buscamos a Deus mais do que a nós mesmos. Aqueles que vêm à igreja esperando satisfações de mercado e procurando apenas salvar sua vida não encontrarão nem uma coisa nem outra.
2. Descontentamento versus a suficiência de Cristo – Embora o consumismo prometa plenitude pessoal, os ciclos econômicos dependem inteiramente de um descontentamento contínuo. No fundo, o consumismo não se trata apenas de comprar um produto novo, mas sim, de adquirir esse produto para que você se sinta novo. As pessoas que trabalham com o marketing sabem disso e planejam seus produtos de tal forma que o consumidor sempre é levado a desejar o novo que está por vir, o último modelo do que já tem.
Consumidores descontentes também carregam uma armadilha espiritual semelhante. Inicialmente, nossa busca perpétua por conforto e felicidade, na verdade, aniquila-se toda chance de satisfação de nossos desejos.
O prazer de comprar um novo produto ou serviço, na verdade, durará pouco tempo. Logo vai embora – e o pior é que imediatamente depois, passamos a desejar algo novo. Em seguida – e esta é uma questão perversa –, nós não conseguimos lidar com desconforto.
Como consumidores, buscamos novos produtos quando percebemos os primeiros sinais de irritação. Como as clinicamente identificáveis dependências de compras, esse é um espantoso indicador de uma cultura decadente.
A maioria das pessoas, nos mais diversos lugares, não tem o luxo de lutar por vidas livres do sofrimento e da dor. Evidentemente, termos todas as nossas necessidades sempre supridas é precisamente o oposto do que o discípulo deve experimentar. Paulo mostra uma indiferença quanto às circunstâncias da própria vida, sentimento que era fruto de sua maturidade espiritual: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.
Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.11-13).
A questão levantada pelo apóstolo não é que veremos todas as nossas necessidades prontamente assistidas, mas que, fazendo de Jesus o Senhor de fato de nossas vidas, precisaremos cada vez de menos coisas para termos satisfação completa. O discipulado, presente na comunidade cristã, tem como objetivo satisfazer com uma só coisa: o senhorio de Cristo em sua vida.
3. O relativismo das marcas versus o senhorio de Cristo – Um bom profissional do marketing busca formar um tipo de pessoa que se identifica tanto com sua marca que passa a considerar algo inimaginável a possibilidade de viver sem ela. Em se tratando de valores, esse tipo de entusiasmo parece indicar uma superioridade das marcas na vida de alguém.
Entretanto, subjacente a esse fanatismo pelas marcas, está o relativismo inerente no consumismo. Uma marca de celular não é inerentemente melhor do que a concorrente, embora produtos do gênero precisem ter certa dose de competição técnica. Uma delas pode até fazer um melhor trabalho de capturar as mentes e os corações; todavia, dizer que determinado logo é melhor do que outro é tão ridículo quanto afirmar que os moradores de Boston são melhores do que os moradores de Chicago.
Melhores por quais padrões? Para ser honesto, as marcas comunicam coisas diferentes umas das outras. No mercado americano de automóveis, Mercedes representa luxo, enquanto  Honda expressa confiança. Ambas, porém, fazem o que devem fazer em termos de qualidade.
Portanto, a superioridade de uma sobre a outra está única e exclusivamente na cabeça do consumidor.
O consumidor que compra nosso marketing fará de Jesus sua marca escolhida, e o zelo resultante dessa escolha parecerá fé apaixonada. Aparências nos desapontam. Uma fé genuinamente apaixonada está enraizada em quem Cristo de fato é. Um zelo pela marca, por sua vez, está centrado na própria pessoa, pois a superioridade de uma marca sobre a outra depende tão somente do entusiasmo do seu devoto.
O zelo existente mascara a arbitrariedade da escolha. Entretanto, a escolha por Cristo não é arbitrária. Se um consumidor descontente com uma marca de TV escolhe outra, a primeira perde e a segunda ganha. Mas se uma pessoa deixa de escolher a Cristo para servir a outros deuses – ou a deus algum –, Cristo não é nem um pouco diminuído.
Consumidores espirituais não têm porque achar que o cristianismo não é uma opção entre muitas. Entretanto, a santidade na vida de uma igreja é um grande testemunho do contrário.
A igreja revela a supremacia de Cristo em um mundo que nega seu poder quando ama o que não é amado, perdoa o imperdoável, promove reconciliações aparentemente impossíveis e faz a perseverança triunfar sobre as dificuldades.
4. Fragmentação versus unidade de Cristo – A chave para o sucesso no marketing é a segmentação: dividir determinada população em grupos identificáveis por suas preferências relacionadas ao consumo. Trata-se de uma análise demográfica. Um profissional do marketing pode olhar para as contas mensais de uma pessoa, ou apenas para o CEP de seu endereço e descobrir coisas importantes para acerca de seu perfil de consumo.
As segmentações nos chamados nichos de mercado permitem aos marqueteiros concentrar suas mensagens em públicos mais restritos, tornando-as mais eficazes. Isso tem permitido que o ser humano do século 21 com capacidade de consumo possa viver praticamente alocado dentro de suas preferências.
Vivemos em bairros residenciais com pessoas que se parecem conosco, vamos a igrejas cujos membros têm perfil social semelhante ao nosso, passeamos com companheiros que têm os mesmos gostos que nós. Tudo isso contribui para relutarmos contra a vida em contextos nos quais as pessoas não são como nós.
Isso, é claro, é um problema para a Igreja. A unidade cristã é um valor bíblico inegociável. Pense na oração de Jesus em João 17, na exortação de Paulo aos filipenses para que fossem um com a mente de Cristo, ou na metáfora da Igreja como o corpo de Cristo, com diferentes membros igualmente importantes em suas funções.
Como Paulo afirmou em Gálatas 3.28, a unidade de Cristo rompeu todas as principais diferenças da sociedade romana: de tribo, classe e gênero. Com efeito, nenhuma identidade importa tanto quanto a identidade cristã.
Precisamos, portanto, estar atentos para as infiltrações da segmentação do marketing nas nossas igrejas. Isso tem provocado duas inaceitáveis consequências: igrejas extremamente homogêneas representando tendências consumistas e, na outra ponta, pequenos grupos homogêneos dentro de grandes igrejas.
Ambas as tendências tendem a nos separar dos que nos parecem “diferentes” e a nos levar uma comunhão restrita por padrões sociais, culturais, etários ou até mesmo étnicos – ou seja, caímos no nicho eclesiástico. Certamente foi a isso que Paulo referiu-se como “conformação com este século”, citada em Romanos 12.2.
O consumismo veio para ficar. Hábitos como autocriação, descontentamento, relativismo e fragmentação se tornarão mais dominantes nos próximos anos. Essa é a forma que a economia global e as transações comerciais julgam ser interessante.
Não podemos derrotar nossa realidade; podemos, sim, viver de forma fiel em meio a esse contexto. Para isso, é fundamental nos lembrarmos da natureza da Igreja de Cristo. Em todas as épocas, cristãos têm lutado para defini-la; é uma tarefa difícil porque é a única instituição divina e humana ao mesmo tempo.
A Igreja é como uma família, um reino, uma organização social, uma reduto de vida, de companheirismo e – para os nossos dias – um mercado. O problema se instaura quando procuramos definir a Igreja como um todo a partir de apenas um de seus aspectos. Ou seja, tratando-a como um mercado que tem uma marca a ser vendida. Se tratarmos o Evangelho como um produto, não estaremos levando aqueles que não crêem a pensar na cruz como apenas mais um logo?
Nós também precisamos entender, porém, que, não importa o que façamos, o consumismo inevitavelmente estará presente na forma pela qual as pessoas veem a Igreja em nossa sociedade. Toda nossa comunicação da Palavra de Deus será encarada como um marketing; toda exposição dos conteúdos do Evangelho será tida como um produto.
E o evangelismo será vist como uma venda. Nada há que possamos fazer para mudar esse contexto. Há ainda mais razões para desafiarmos as expectativas. Consumidores espirituais virão às nossas igrejas como vão às vitrines das lojas nos shoppings, procurando um produto que combine com suas preferências.
Eles desejarão isso porque consumir é a única salvação que eles conhecem. Trarão todos os seus recursos e terão grande dificuldade em entender a graça de Deus, porque não conseguem conceber algo que não pode ser comprado.
Eles virão à nossa vitrine buscando o que querem, da mesma forma como fizeram aqueles que foram a Jesus, em seus dias, buscando comprar seus produtos – os milagres que operava. Naquela época, eles estavam procurando por um mestre, um homem louco, um profeta ou revolucionário, e – no fim – por um cadáver. Hoje, eles estão buscando uma marca espiritual.
Nos dias de Jesus na Terra, quem o procurou encontrou um Messias vivo e um Senhor. Eles encontraram o Deus pelo qual nem mesmo estavam procurando. A pergunta que nos cabe, hoje, é se aqueles que o buscam hoje haverão de achá-lo no que se chama de corpo de Cristo, chamado para transformar o mundo – e se, procurando algo novo para comprar, serão surpreendidos por Deus.

ESTUDO DOUTRINÁRIO / A HISTÓRIA DO NOVO TESTAMENTO PARTE 1

Ministério Palavra Viva
A HISTÓRIA DO NOVO TESTAMENTO I

- Da criação do mundo ao nascimento de Jesus –
A história do Novo Testamento começou muito tempo antes do nascimento de Jesus. Em realidade, só podemos entender bem muitos dos incidentes narrados no NT quando conhecemos esta longa história. Ela começa com a criação do mundo – incluindo Adão e Eva. Havendo eles pecado e desobedecido à ordem de Deus, deteriorou-se o meio ambiente perfeito em que foram criados. E assim tem início a história da redenção humana, operada por Deus -  que culminou na vida, morte e ressurreição de Jesus.
A história continua com Deus chamando a Abraão por volta do ano 2000 aC. Deus chamou Abraão para deixar o lar, dirigir-se a uma nova terra, e tornar-se o pai de “uma grande nação” (Gn 12.2-3) – Israel.
Num período de tempo relativamente curto, os descendentes de  Abraão acharam-se no Egito. Logo o número desses descendentes tornou-se uma ameaça a faraó – o governante do Egito -  e ele ordenou que fossem escravizados.
Foi nessa época que Moisés recebeu o chamado para tirar Israel da escravidão do Egito e conduzi-lo à terra Prometida de Canaã. Em seguida ao êxodo do Egito (cerca de 1450 aC) Israel recebeu a Lei – as leis e as instituições sociais que a nova nação devia observar, incluindo os Dez mandamentos. Recusando-se os temerosos israelitas a entrar na Terra Prometida conforme Deus ordenara, o Senhor os condenou a peregrinar no deserto, ao sul de Canaã, por mais de 40 anos.

Josué, sucessor de Moisés, foi quem introduziu Israel na Terra Prometida. Esta conquista se fez com violência (o livro de Josué conta a história).  Após a morte de Josué, “ ...cada uma fazia o que achava mais reto” (Jz 21.25), e foi necessário que Deus suscitasse juízes. Eles chamaram o povo ao arrependimento e derrotaram os opressores de Israel (o livro de Juízes narra a história).
Saul foi o primeiro rei de Israel. Davi, seu sucessor, escolheu Jerusalém como capital, fazendo-a ao mesmo tempo o centro político e espiritual da nação. Salomão o sucedeu; este consolidou o reino recebido de seu pai e construiu o grande templo de Jerusalém. Conhecido por sua sabedoria, foi também um dirigente insensato; seu amor ao luxo, às mulheres bonitas e às alianças políticas, tiveram efeito desastroso pra a nação.
Após a morte de Salomão seguiu-se uma guerra civil sangrenta, e a nação dividiu-se em Israel ao norte e Judá ao Sul. Elas caíram na idolatria e no pecado, e Deus suscitou profetas – homens que declaravam a vontade do Senhor ao seu povo – para chamá-los ao arrependimento. Ambas as nações ignoraram as advertências dos profetas, e finalmente os inimigos destruíram ambas (Israel foi destruída pela
Assíria em 723 aC e Judá pela Babilônia em 586 aC. Os seus dirigentes foram tomados cativos e enviados ao exílio).
Mais tarde, muitos descendentes dos exilados regressaram à Palestina. Um grupo retornou em 538 aC e reconstruiu o templo; outro voltou em 444 aC e reconstruiu os muros de Jerusalém sob a liderança de Esdras e Neemias.  Israel voltou à velha prática do pecado e da indiferença; e com o término do Período do Antigo Testamento, ouvimos a voz do profeta Malaquias condenando os caminhos pecaminosos do povo.
                       Período Intertestamentário

  Os 400 anos decorridos desde a profecia de Malaquias até à vinda de Cristo são conhecidos como Período Intertestamentário. Os livros de Macabeus, que descrevem a revolta macabéia e o caos na Palestina, e os escritos de Josefo, historiador do primeiro século da era cristã, são as principais fontes de informação sobre esse período.

O livro de Daniel deu uma visão prévia desses anos. Através dos olhos da profecia Daniel esboçou os principais acontecimentos políticos dessa época. Daniel viveu durante a ascensão da Babilônia como potência mundial. Ele viu o reino desaparecer e ser substituído pelo governo medo-persa. Em sua visão profética Daniel viu, portanto, a ascensão de outras grandes forças que dominariam o período intermediário dos Testamentos: Alexandre, os Ptolomeus do Egito, os Selêucidas da Síria, os Macabeus e os Romanos.
  a) O Último Período Persa ( até 331 aC). O AT encerra-se com o Império Persa ainda no poder. Ciro havia permitido aos judeus voltar à terra para reconstruir o templo (538 aC). Ester, judia, havia ascendido à proeminência no palácio do rei persa (470 aC). Esdras (456 aC) e Neemias (443 aC) haviam voltado ao país e instituído reformas.
 
Nada aconteceu na Palestina de muito interesse internacional no restante do governo persa. O sumo sacerdote judeu governava o país e o ofício passou a ser altamente cobiçado. Ocorreram diversas disputas infames pelo posto. Numa ocasião um sumo sacerdote matou o irmão quando este buscava o posto para si. O governador persa ficou tão estarrecido por este ato que impôs uma pesada multa sobre a população.
b) O Período de Alexandre Magno (335-323 aC). Ao governo persa seguiu-se a ascensão  de Alexandre ao poder sobre um vasto império, incluindo a Palestina. Filipe da Macedônia, seu pai, havia estendido o governo sobre toda a Grécia e se preparava para uma grande guerra com a Pérsia, quando foi assassinado. Sucedeu-o seu filho Alexandre então com apenas 20 anos de idade, e dentro de pouco tempo acabou com o poder da Pérsia.
 
Em 335 aC Alexandre deu início a seu memorável reinado de doze anos. Depois de consolidar o governo em sua terra natal, ele rumou para o leste conquistando a Síria, a Palestina, o Egito e, finalmente, a própria Pérsia. Ele buscou conquistar terras mais ao leste, porém suas tropas se recusaram a faze-lo. Morreu na Babilônia em 323 aC. Em seus trinta e três anos de vida ele deixou um marco indelével na história.
 
c) A Era dos Ptolomeus (323-204 aC).
  Ninguém sucedeu a Alexandre. Finalmente, quatro de seus generais dividiram o império. Dois deles, Ptolomeu e Seleuco I, envolver-se-iam no governo da Palestina.
Depois de algumas lutas entre esses generais, o Egito caiu nas mãos de Ptolomeu Sóter. A Palestina também foi acrescentada ao seu quinhão. No início ele foi duro com os judeus. Mais tarde ele os
empregou em várias partes de seu reino, muitas vezes em altos postos.

Seu sucessor, Ptolomeu Filadelfo, foi um dos mais eminentes deles.
Amável para com os judeus, promoveu as artes e desenvolveu o império em todos os aspectos. As Escrituras  Hebraicas fora traduzidas para o grego durante o seu reinado na cidade egípcia  de Alexandria. A Septuaginta, como se denominou essa versão, podia ser lida, em todo o império.
Com o passar do tempo, cresceram as rivalidades entre os reis  do Egito (Ptolomeus) e os reis da Síria (Selêucidas). A rivalidade atingiu o clímax nos reinados de Ptolomeu Filópater (222-204 aC) e de Antíoco o Grande, da Síria (223-187 aC). Filópater venceu a Antíoco numa batalha nas proximidades de Gaza. Em sua volta da batalha, Filópater visitou Jerusalém e decidiu entra no Santo dos Santos no templo. Embora o sumo sacerdote tentasse dissuadi-lo, ele fez a tentativa. Relata Josefo que ao aproximar-se do Santo Lugar, foi tomado de tal terror que saiu do templo.
Visto que os judeus lhe faziam oposição, Filópaper  retirou-lhes os privilégios, multou-os, e começou a persegui-los. Capturando em Alexandria todos os judeus que pôde, trancafiou-nos num hipódromo cheio de elefantes embriagados. Esperava que os elefantes caíssem sobre os judeus, esmagando-os. Não foi o que aconteceu. Enfurecidos, os elefantes escaparam, matando muitos dos espectadores. Filópater interpretou isso como um sinal de Deus a favor dos judeus e parou de persegui-los. Ao morrer, em 204 aC, sucedeu-o seu filho Ptolomeu Epifânio, com apenas cinco anos de idade. Antíoco o Grande, da Síria, aproveitou a oportunidade para arrebatar do Egito o controle da Palestina.
d) O Período Sírio (204-166 aC)  Os egípcios enviaram uma embaixada a Roma pedindo-lhe ajuda contra Antíoco. Acedendo ao pedido, Roma mandou um exército, que a principio não obteve êxito. Finalmente, porém, eles obrigaram Antíoco a evacuar toda a região ao ocidente e ao norte das montanhas do Taurus. Numa incursão ao oriente para financiar a guerra, Antíoco foi morto pelos habitantes da província de Elimais enquanto saqueava um templo de Júpiter.

O reinado de seu sucessor Seleuco Filópater não apresentou nenhum fato de relevo. Mas com  a ascensão de Antíoco Epifânio (“a manifestação de Deus”), teve início uma das mais sombrias épocas da história judaica.
Onias, exercia o sacerdócio em Jerusalém quando Epifânio começou a reinar. Visto que os gregos desejavam helenizar os judeus, Epifânio vendeu o cargo de sumo sacerdote ao irmão de Onias, por trezentos e sessenta talentos. Onias fugiu da cidade. O usurpador mudou de nome; de Jesus passou a chamar-se Jasão, colaborando dessa maneira com Antíoco em seu esforço de impor a cultura e religião grega aos judeus. Os velhos costumes hebreus e suas práticas religiosas foram desestimulados; judeus foram enviados a Tiro a fim de tomar parte nos jogos em homenagem ao deus pagão Hércules, e em seu altar eram oferecidos sacrifícios. Finalmente, Menelau, outro irmão, fez oferta maior que a de Jasão pelo sacerdócio e intensificou o ataque ao judaísmo.

Com a ida de Antíoco Epifânio ao Egito para sufocar o levante, correu o boato de que ele fora morto e os judeus começaram a celebrar o fato com grande alegria. Sabedor disso, ele voltou a Jerusalém, sitiou e tomou a cidade, e massacrou quarenta mil judeus. Para mostrar seu desprezo pela religião judaica, entrou no Santo dos Santos, sacrificou uma porca sobre o altar, e espargiu o sangue sobre o edifício. Por sua ordem o templo passou a ser templo do Zeus Olímpio; proibiram-se  culto e os sacrifícios judaicos que foram substituídos pelos ritos pagãos. Proibiu-se a circuncisão, e a mera posse de uma cópia da Lei se tornou ofensa punível com a morte.
Os judeus resistiram. Um homem chamado Eleazar, idoso escriba de
elevada posição, foi morto porque se recusou a comer carne de porco. Um após outro, a mãe e seus sete filhos tiveram a língua cortada, os dedos das mãos e dos pés amputados, e lançados num tacho fervente. Um grupo de resistentes, em número aproximado de mil pessoas, foi atacado  no sábado. Recusando-se a quebrar as proibições sabáticas, foram mortos sem luta.
 
Uma família de classe sacerdotal, chamada asmoneus, resistiu vigorosamente aos éditos. Quando os emissários da Síria tentaram fazer cumprir os decretos de Epifânio, Matatias, pai da família chamada macabeus, recusou-se a adorar os deuses pagãos. Havendo-se apresentado outro cidadão para oferecer sacrifício no altar aos deuses pagãos. Matatias matou-o então ele conduziu um bando à região desértica onde Davi havia, por tantos anos, eludido a Saul.

Aos poucos cresceu o número dos que se puseram ao lado dos macabeus. Os Sírios laçaram três campanhas contra esses fiéis judeus, uma pelo próprio Antíoco Epifânio; mas nenhuma teve êxito. Algum tempo depois morreu Epifânio e irrompeu a guerra civil. Judas Macabeu, que sucedera a seu pai Matatias, estendeu seu controle sobre grande parte da palestina, incluindo partes de Jerusalém. Três anos após o dia de sua profanação, o templo foi purificado e os sírios estabeleceram a paz com os judeus.
e) A Era Macabéia (166-37 aC) Judas Macabeu não gozou de paz por muito tempo, e sem mais delongas apelou para os romanos, pedindo assistência  contra a Síria. Judas morreu em combate antes de chegar ajuda, seu irmão Jônatas tomou-lhe o lugar. Por causa da fraqueza da Síria, Jônatas tornou-se o comandante da Judéia. Ao morrer foi sucedido por outro irmão, Simão, que também apelou para Roma em busca de socorro. Os romanos fizeram Simão governador da Judéia, e seu trono passou a ser hereditário.

Por esse tempo os partidos dos fariseus e dos saduceus eram rivais. Simão teve como sucessor seu filho João Hircano, que primeiro se filiou a uma e depois a outra das seitas oponentes. Não demorou o estouro da guerra civil quando seus dois netos, Hircano e Aristóbulo, lutavam pelo trono vago por sua morte. Os romanos preferiram Hircano, e Pompeu, general romano, tomou Jerusalém de Aristóbulo.

Os cercos, as batalhas, os homicídios e os massacres que se seguiram marcam um período de turbulência na história judaica. Embora presenteados com a oportunidade de restaurar Israel e uma posição de grande poder e influência,  desperdiçaram-na com lutas entre famílias.
f) A Dominação Romana (37 aC até o período do NT) Pompeu, Crasso e Júlio César reinaram sobre Roma como o primeiro triunvirato, mas Júlio César logo se tornou o governador único. Ele recolocou Hircano no trono em Jerusalém e nomeou a Antípatro, cidadão da Iduméia, como proucurador sob as ordens de Hircano. Os dois filhos de Antípatro, Faselo e Herodes tornaram-se  governadores da Judéia e da Galiléia. No ano seguinte Antípatro foi envenenado; três anos mais tarde Júlio César foi assassinado em Roma.

Um novo triunvirato - Otávio (sobrinho de César), Marco Antonio e Lépido - passou a governar Roma. Antonio governava a Síria e o Oriente. Favoreceu a Herodes, e esta amizade levou essa família edomita à ascensão ao poder. Herodes casou-se com Mariana, neta de Hircano, e tornou-se parte da família macabéia.

Mais ou menos por esse tempo surgiu um novo distúrbio no país. Antígono, filho de Aristóbulo, conquistou sucesso passageiro ao  cortar as orelhas de Hircano, o sumo sacerdote, impossibilitando-o de exercer o ofício. Na luta seguinte Herodes foi pressionado por Antígono, e teve de fugir para a fortaleza chamada Masada em busca de segurança. Depois ele foi a Roma, descreveu aos romanos a desordem dominante, e foi nomeado rei. Antígono foi morto, e isso acabou  para sempre com o governo dos macabeus ou asmoneus.

Pouco tempo depois do suicídio de  Antonio no Egito, Herodes estendeu seu poder na Judéia. Vivia sob o pavor de que um descendente dos macabeus subisse em poder para tomar-lhe o trono. Tendo Aristóbulo, irmão de Mariana, sido nomeado sumo sacerdote, sua popularidade fez com que Herodes mandasse afogá-lo. Mariana ficou enfurecida, e Herodes mandou executá-la. Nos anos seguintes ele tornou-se cada vez mais vingativo, e seus atos sangrentos provocaram a ira dos judeus.
Para acalmar a hostilidade dos Judeus, ele deu início a um programa de obras públicas. Seu principal  empreendimento foi a reconstrução do templo.
Mas com isso não terminaram os problemas de Herodes, nem os da nação. Ele estava cercado por um grupo de homens que exploravam sua paranóia. Seus dois filhos, à semelhança de sua mãe Mariana, vítima da ira paterna, forma estrangulados. Em certa ocasião um grande número de fariseus tiveram o mesmo destino. Outros atos igualmente sangrentos continuaram durante o seu reinado. Perto do fim da vida, esse governante dominado pelo medo ordenou o massacre dos infantes em Belém quando nasceu Jesus, o rival Rei dos judeus.

sábado, 1 de outubro de 2011

SERMÃO DE JOHN WESLEY - O SERMÃO DO MONTE - PARTE XIII

Sobre o Sermão do Monte – Parte XIII
John Wesley


'Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, nós não profetizamos em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, eu compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda'. (Mateus 7:21-27)

1. Nosso Mestre Divino, tendo declarado todo o conselho de Deus, com respeito ao caminho da salvação, e observado os principais obstáculos daqueles que desejam caminhar nele, encerra agora o conjunto, com essas palavras poderosas; por meio das quais, assim como foi, Ele coloca seu selo para sua profecia, imprimindo toda a sua autoridade sobre o que Ele entregou, para que possa permanecer firme para todas as gerações.

2. Para que assim, diz o Senhor, ninguém possa alguma vez conceber que existe algum outro caminho do que este, 'Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, nós não profetizamos em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, eu compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda'.

3. Eu pretendo, no discurso seguinte:

I.              Primeiro, considerar o caso daquele que construir sua casa sobre a areia:
II.           Segundo, mostrar a sabedoria daquele que construiu sobre a rocha:
III.        Terceiro, concluir com uma aplicação prática.

I

1. Primeiro, eu vou considerar o caso daquele que constrói sua casa sobre a areia. 'Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus'. E este é um decreto que não pode passar; que permanece firme para todo sempre. Ele, por conseguinte, nos importa, no mais alto grau, para que possamos entender completamente a força dessas palavras. Mas, o que nós entendemos por aquela expressão, 'Aquele que diz a mim, Senhor, Senhor?'. Ela indubitavelmente significa supor ir para o céu, por algum outro caminho do que aquele que eu tenho agora descrito. Ela implica, portanto, (para começar do ponto mais baixo) todas as boas obras, toda a religião verbal. Ela inclui quaisquer que sejam os credos que possamos exercitar; quaisquer que sejam as profissões de fé que façamos; qualquer que seja o número de orações que possamos repetir; quaisquer que sejam as ações de graças que leiamos ou façamos para Deus. Nós podemos falar bem do Seu nome, e declarar a Sua bondade para com os filhos dos homens. Nós podemos falar de todos os seus atos poderosos, e dizer de sua salvação dia a dia. Confrontando as coisas espirituais com o intelecto, nós podemos mostrar o significado dos oráculos de Deus. Nós podemos explicar os mistérios do Seu reúno, que tem estado oculto, desde o começo do mundo. Nós podemos falar com a língua dos anjos, preferivelmente, à língua dos homens, no que se refere às coisas profundas de Deus. Nós podemos proclamar os pecadores, 'a observarem o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo!'.

Sim, nós podemos fazer isto, com tal medida do poder de Deus, e tal demonstração de seu Espírito, como para salvar muitas almas da morte, e ocultar uma grande quantidade de pecados. Mas, ainda assim, é muito provável, que tudo isto possa ser não mais do que dizer, 'Senhor, Senhor'. Que, depois de eu ter pregado com êxito para outros, eu mesmo possa ser um réprobo. Eu posso, pelas mãos de Deus, arrebatar muitas almas do inferno, mas, ainda assim, cair nele, quando eu terminar. Eu posso trazer os muitos outros para o reino dos céus, e eu mesmo não entrar lá. Leitor, se, alguma vez, Deus abençoou minhas palavras para sua alma, ore para que Ele possa ser misericordioso para comigo, um pecador!

2. O dizer, 'Senhor, Senhor', pode, em Segundo Lugar, implicar, em não causar dano. Nós podemos nos abster de todo pecado insolente, de todo tipo de maldade exterior. Nós podemos nos refrear de todos aqueles caminhos de ação ou falar, que são proibidos nos santos escritos. Nós podemos ser capazes de dizer para todos aqueles, em meio dos quais vivemos, 'qual de vocês convenceu me do pecado?'. Nós podemos ter uma consciência que evite qualquer ofensa externa, em direção a Deus e ao homem. Nós podemos ser limpos de toda sujidade, descrença, e  iniqüidade; assim como de toda ação exterior; ou, (como o Apóstolo testifica, concernente a si mesmo), 'tocar na retidão da lei', que é a retidão exterior, 'sem culpa'. Mas, ainda assim, nós não seremos, por meio disto, justificados. Ainda isto não é mais do que dizer, 'Senhor, Senhor'; e, se nós não formos além disso, nós nunca 'entraremos no reino dos céus'.  

3. O dizer, 'Senhor, Senhor', pode, em Terceiro Lugar, implicar muito daquilo  que denominamos boas obras. Um homem pode atender a Ceia do Senhor; pode ouvir abundância de excelentes sermões; e não omitir uma oportunidade de tomar parte em todas as outras ordenanças de Deus. Eu posso fazer o bem ao meu próximo; repartir meu pão com o faminto, e vestir o desnudo. Eu posso ser zeloso das boas obras, até mesmo, 'dar todos os meus bens para alimentar o pobre'. Sim, e eu posso fazer tudo isso, com um desejo de agradar a Deus, e uma crença real de que eu o agrado por isso; (o que, inegavelmente, é o caso daqueles que nosso Senhor apresenta, dizendo a Ele, 'Senhor, Senhor'); e mesmo assim, não tomar parte na glória que deverá ser revelada.

4. Se algum homem ficar chocado com isso, que ele reconheça que é um estranho para toda a religião de Jesus Cristo; e, em particular, para aquela imagem, a qual Ele coloca diante de nós, nesse discurso. Porque quão resumido é tudo isto, diante daquela retidão e santidade verdadeira que Ele tem descrito nisto! Quão extensamente distante daquele reino dos céus interior que está agora aberto na alma do crente, -- que é a primeira semente no coração, como um grão de mostrada, e que, mais tarde, estenderá grandes ramos, nos quais crescerão todos os frutos da retidão; todo bom temperamento, e palavra e obra.

5. Mesmo assim, tão claramente quanto Ele tem afirmado isto; tão freqüentemente quanto Ele tem repetido que ninguém que não tenha esse reino de Deus nele, entrará no reino dos céus; nosso Senhor bem soube que muitos não receberiam essa palavra, e, até por isso, confirma novamente: 'Muitos', (diz Ele: não uma pessoa; não algumas apenas: este não é um caso raro ou incomum) 'deverão dizer a mim, naquele dia, não somente, nós temos feito muitas orações; nós temos louvado a Ti; nós temos reprimido o mal; nós temos exercitado a nós mesmos em fazer o bem -- mas, o que é abundantemente maior do que isto, 'nós temos profetizado em Teu nome; em Teu nome nós expulsamos demônios; em Teu nome fizemos muitas obras maravilhosas. 'Nós temos profetizado'; -- nós temos declarado Tua vontade à humanidade; nós temos mostrado aos pecadores o caminho da paz e glória. E nós temos feito isto, 'em Teu nome'; de acordo com a verdade do Teu Evangelho; sim, e através de Tua autoridade, que confirmou a palavra com o Espírito Santo enviado dos céus. Porque em Teu nome, ou através do Teu nome; pelo poder do Teu Espírito, 'nós temos expulsado demônios'; das almas que eles, há muito, têm pretendido como sendo deles próprios, e das quais eles têm posse completa e tranqüila. 'E em Teu nome', pelo Teu poder, não o nosso, 'nós temos feito muitas obras maravilhosas'; de tal maneira que, 'mesmo o morto ouviu a voz do Filho de Deus', falando através de nós, e viveu. 'E eu irei afirmar', até mesmo, 'junto a eles, que eu nunca conheci vocês'; não, nem mesmo, quando vocês estavam 'expulsando demônios, em meu nome': Eu não conheço vocês como meus; porque os corações de vocês não foram corretos em direção a Deus. Vocês não foram submissos e humildes; vocês não foram amantes de Deus, e de toda humanidade; vocês não foram renovados na imagem de Deus; vocês não foram santos como eu sou santo. 'Afastem-se de mim, vocês', que, não obstante, tudo isso, são 'trabalhadores da iniqüidade' -- anarquistas -- Vocês são transgressores de minha lei, e minha lei do amor santo e perfeito.

6. É com o objetivo de colocar isto, além de toda possibilidade de contradição, que nosso Senhor confirma, através daquela comparação oposta: 'Todo aquele', diz Ele, 'que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, eu compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia'; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa'; -- como eles irão certamente fazer, cedo ou tarde, com a alma do homem; mesmo com a inundação da aflição exterior, ou da tentação interior; as tempestades de orgulho, ira, temor, ou desejo; -- 'e ela caiu, e foi grande a sua queda'. De maneira que pereceu para todo o sempre. Tal deve ser a porção de todo aquele que descansa em algum tipo daquela religião que está acima descrita. E maior será a queda, porque eles 'ouviram aquelas palavras, e', ainda assim, não as praticaram'.


II
           

1. Eu vou, em Segundo Lugar, mostrar a sabedoria daquele que as praticou; daquele que construiu sua casa sobre a rocha. De fato, é sábio 'aquele que faz a vontade de meu Pai que está no céu'. É verdadeiramente sábio, aquele cuja 'retidão excede a retidão dos escribas e fariseus'. Ele é pobre em espírito; conhecendo a  si mesmo, assim como ele também é conhecido. Ele vê e sente todo seu pecado, e toda a sua culpa, até que ela é varrida, pelo sangue redentor. Ele está consciente de seu estado perdido, da ira de Deus habitando nele, e de sua mais extrema inabilidade de ajudar a si mesmo, até que ele é preenchido com a paz e alegria no Espírito Santo. Ele é humilde e gentil; paciente em direção a todos os homens; nunca 'pagando o mal com o mal, ou insultos com insultos, mas, ao contrário, com bênçãos', até que ele domina o mal com o bem. Sua alma não é sedenta por coisa alguma na terra, a não ser apenas pelas coisas de Deus, do Deus vivo. Ele tem muito amor para com toda humanidade, e está sempre pronto a dar sua vida por seus inimigos. Ele ama o Senhor, com todo seu coração, e com toda a sua mente, e alma, e forças. Apenas aquele que, neste espírito, faz o bem a todos os homens, deverá entrar no reino dos céus; e aquele que sendo por esse motivo menosprezado e rejeitado pelos homens; sendo odiado, reprovado, e perseguido, regozija-se e está 'excessivamente feliz', sabendo em quem ele tem acreditado; e estando assegurado por essa luz, que as aflições momentâneas irão 'trazer para ele o ônus da glória eterna'. 

2. Quão verdadeiramente sábio é esse homem! Ele conhece a si mesmo; -- um espírito eterno, que veio de Deus, e foi enviado para a sua casa de argila, não para fazer a sua própria vontade, mas para fazer a vontade Dele que o enviou. Ele conhece o mundo -- o lugar no qual ele passará os poucos dias e anos, não como um habitante, mas como um hóspede estranho, em seu caminho para as habitações eternas; e conseqüentemente, ele usa o mundo, de modo a não abusar dele, e sabendo que a sua  forma dele passa. Ele conhece a Deus; -- seu Pai e seu Amigo, a origem de todo bem, o centro dos espíritos de toda carne, a única felicidade de todos os seres inteligentes. Ele vê, mais claro que a luz do sol do meio-dia, que este é o objetivo do homem, glorificar a Ele que o fez para si mesmo, amar e deleitar-se Nele para sempre. E com igual clareza, ele vê os meios para aquela finalidade, para o prazer de Deus na glória; mesmo agora, para conhecer, amar, imitar a Deus, e crer em Jesus Cristo a quem ele tem enviado.

3. Ele é um homem sábio, mesmo na consideração de Deus; uma vez que 'ele construiu sua casa sobre a rocha'; sobre a Rocha dos Tempos, a rocha eterna, o Senhor Jesus Cristo. Ele é assim, adequadamente chamado; porque Ele não muda: Ele é 'o mesmo ontem, hoje, e para sempre'. A Ele, ambos o homem de Deus do passado e o Apóstolo, mencionando suas palavras, testemunham: 'Tu, Senhor, no princípio fundaste a terra, E os céus são obra de tuas mãos:Eles perecerão, mas tu permanecerás; e todos eles, como roupa, envelhecerão, e como um manto, os enrolarás, e serão mudados. Mas tu és o mesmo, e os teus anos não acabarão' (Hebreus 1:10-12). Sábio, portanto, é o homem que é construído sobre Ele; aquele que tem a Ele como seu único alicerce; que se edifica apenas sobre seu sangue e retidão; sobre o que Ele tem feito e sofrido por nós. Nessa pedra angular, ele fixa sua fé, e descansa todo o peso de sua alma. Ele é ensinado por Deus a dizer: 'Senhor, eu tenho pecado; eu mereço o mais baixo inferno; mas eu estou justificado livremente, pela Tua graça, através da redenção que está em Jesus Cristo; e a vida que eu agora vivo; isto é, uma vida divina, sagrada;é a vida que está oculta com Cristo em Deus. Eu agora vivo, mesmo na carne; a vida do amor; do amor puro a Deus e ao homem; a vida de santidade e felicidade; louvando a Deus, e fazendo todas as coisas para sua glória'.

4. Ainda assim, que alguém não pense que ele não mais verá a guerra; que ele está agora fora do alcance da tentação. Ela ainda permanece, para que Deus prove a graça que Ele tem dado: Ele deverá ser tentado como ouro no fogo. Ele deverá ser tentado, não menos do que eles que não conhecem a Deus: Talvez, abundantemente mais; porque satanás não irá falhar ao tentar, ao extremo, aqueles a quem ele não será capaz de destruir. Assim sendo, 'a chuva' irá cair, impetuosamente; apenas que, em tais momentos, e de tal maneira, como se parecesse bom, não ao príncipe do poder do ar, mas a Ele 'cujo reino reina sobre tudo'. 'As correntezas', ou torrentes, virão; elas erguerão suas ondas e rugirão horrivelmente. Mas a elas também, o Senhor que se situa acima das correntezas das águas, que permanece Rei para sempre irá dizer. 'Até aqui, vocês deverão vir, e não mais longe. Aqui suas ondas de orgulho deverão estar situadas'. 'Os ventos irão soprar, e bater contra a casa', como se eles pudessem fazê-la em pedaços, desde o alicerce: Mas eles não prevalecerão: Ela não cairá; porque está alicerçada sobre a rocha. Ele habita em Cristo, pela fé e amor; por conseguinte, não deverá se abater. 'Não deverá temer, mesmo que a terra se mova, e mesmo que as colinas sejam levadas para o alto mar'. 'Embora as águas do mar se enfureçam e aumentem de volume, e as montanhas estremeçam com seu movimento; ainda assim, 'habitará debaixo da defesa do Altíssimo, e estará a salvo debaixo da sombra do Onipotente'.

III

1. Quão proximamente, então, concerne a cada filho do homem, aplicar praticamente essas coisas em si mesmos! Diligentemente, examinar sobre que alicerce ele constrói; se sobre a rocha, ou sobre a areia! Quão profundamente você está preocupado para inquirir: 'Qual é o alicerce da minha esperança?'. Sobre qual eu construí minha expectativa de entrar no reino do céu? Será que ela está construída na areia? Sobre minhas opiniões ortodoxas ou corretas, que, pelo abuso grosseiro das palavras, eu tenho chamado de fé? Sobre um conjunto de noções que eu suponho sejam mais racionais ou bíblicas do que a que os outros têm? Ai de mim! Que loucura é isto! Certamente, ela está construída na areia, ou, antes, nas espumas do mar! Diga, 'Eu estou convencido disso: Eu não estarei construindo novamente minha esperança no que é igualmente incapaz de suportá-la? Talvez, por eu pertencer 'a tão excelente igreja; reformada segundo o modelo bíblico verdadeiro; abençoada com a mais pura doutrina, a mais primitiva liturgia, a forma mais apostólica de governo?'. Essas são, sem dúvida, as tantas muitas razões para louvar a Deus,  já que elas podem ser as muitas esperanças para a santidade; mas se elas estão separadas dela, elas não irão ser de proveito alguma para mim; mais ainda, elas irão me deixar, no mais, sem justificativa, e exposto a uma condenação maior. Portanto, se eu construo minha esperança sobre esse alicerce, eu ainda estou construindo sobre a areia.

2. Você não pode, você não se atreveria, descansar aqui. Sobre o que mais você irá construir sua esperança de salvação? – sobre a sua inocência? Sobre o seu não causar dano? Sobre o fato de não cometer injustiça ou causar prejuízo a alguém? Bem; permitindo que esse argumento seja verdadeiro. Você é justo em toda as suas condutas; você é evidentemente um homem honesto; você paga todo homem o que lhe pertence; você nunca trapaceia, nem extorque; você age fielmente com toda a humanidade; e você tem uma consciência em direção a Deus; você não vive em pecado algum conhecido. Assim tão longe está tudo bem: Mas ainda assim, não é isso. Você pode chegar assim, tão distante, mas nunca vir para o céu. Quando toda essa inocência flui de um princípio correto, ela é a menor parte da religião de Cristo. Mas, em você, ela não flui de um princípio correto, e, portanto, não faz parte, afinal, da religião. De modo que, em alicerçar sua esperança de salvação nisto, você estará ainda construindo sobre areia. 

3. Você chega assim tão longe? Você acrescenta o não causar dano, o atender a todas as ordenanças de Deus? Você, em todas as oportunidades, toma parte da Ceia do Senhor? Usa das orações públicas e privadas? Jejua freqüentemente? Ouve e busca as Escrituras, e medita nela? Essas coisas, igualmente, você deve ter feito, desde os primeiros momentos em que você fixou seu rosto em direção aos céus. Ainda assim, essas coisas também não são nada, estando sozinhas. Elas são nada, sem 'o peso as questões mais relevantes da lei'. E essas questões você tem esquecido: Pelo menos, não as tem experimentado: -- Fé, misericórdia, e amor a Deus; santidade de coração; e o céu escancarado, na alma. Portanto, ainda assim, você constrói sobre a areia.

4. Além disso tudo, você é zeloso das boas obras? Você, quando tem tempo, faz o bem a todos os homens? Você alimenta o faminto, veste o desnudo, e visita o órfão e a viúva, nos momentos de aflição deles? Você visita aqueles que estão doentes? Conforta os que estão na prisão? Se alguém é estranho, você o acolhe? Amigo, vá para mais alto! Você 'profetiza' em 'nome' de Cristo? Você prega a verdade como ela está em Jesus? E a influência do Espírito Dele atende sua palavra, e a transforma no poder de Deus para a salvação? Ele o capacita para trazer os pecadores, das trevas para a luz; do poder de satanás, para o poder de Deus? Então, vá e aprenda o que você tem ensinado freqüentemente: 'Através da graça, você será salvo pela fé': 'Não pelas obras da retidão que nós temos feito, mas da própria misericórdia Dele, Ele nos salva'. Aprenda a se pendurar, despido, na cruz de Cristo, considerando tudo o que tem feito como esterco e coisa inútil. Recorra a Ele, como no espírito do ladrão moribundo; da prostituta com seus sete demônios! Do contrário, você ainda estará na areia; e mesmo depois de salvar outras almas, você irá perder sua alma!

5. Senhor, aumente minha fé, se eu agora creio! Caso contrário, dê-me a fé, mesmo que como um grão de mostarda! – Mas 'que proveito terá um homem que tem fé, e não tem as obras? Pode aquela 'fé salvá-lo?'. Ó não! Aquela fé, sem obras; a fé  que não produz a santidade interior e exterior, que não estampa a imagem total de Deus no coração, e nos purifica como Ele é puro; aquela fé que não produz a totalidade da religião descrita nos capítulos precedentes, não é a fé do Evangelho, não é a fé cristã, não é a fé que conduz à glória.Ó, tome cuidado, acima de tudo, com as outras armadilhas do diabo – o descansar na fé não santa, que não salva! Se você não dá a devida consideração a isto, você estará perdido para sempre. Você ainda estará construindo sua casa sobre a areia. Quando 'a chuva cair, e a inundação vier, ela irá certamente cair, e grande será sua queda!'.

6. Agora, portanto, construa sobre uma rocha. Pela graça de Deus, conheça a si mesmo. Saiba e sinta que você foi moldado na maldade; e, no pecado, sua mãe o concebeu; e, desde que não pôde discernir o bem do mal, você tem empilhado pecado sobre pecado. Reconheça-se culpado da morte eterna; e renuncie toda a esperança de ser capaz de salvar a si mesmo. Seja esta toda a sua esperança: ser lavado no sangue de Jesus Cristo, e purificado pelo Seu Espírito, 'que apagou' todos 'os seus pecados, em seu próprio corpo sobre o madeiro'. E, se você sabe que Ele levou embora todos os seus pecados, tanto mais humilhe a si mesmo, diante Dele, em um contínuo senso de sua dependência total Nele, para  todo bom pensamento, e palavra, e obra; e de sua extrema incapacidade para todo bem, a menos que Ele 'o preencha a todo o momento'.  

7. Agora, lamente por seus pecados, e murmure em busca de Deus, até que ele transforme a sua aflição em alegria. E, mesmo então, lamente com aqueles que lamentam; e por aqueles que lamentam, não por si mesmos. Murmure pelos pecados e misérias da humanidade; e veja, bem diante de seus olhos, o oceano imenso da eternidade, sem fundo e sem margem, que já tem tragado milhões e milhões de homens, e está abrindo uma brecha para devorar aqueles que ainda permanecem! Veja aqui, a casa de Deus, eterna nos céus! E lá, o inferno e a destruição, sem uma cobertura – e,  por esta razão, aprenda a importância de todo momento, que apenas surge, e se vai para sempre!

8. Agora acrescente à sua seriedade, mansidão de sabedoria. Mantenha até mesmo uma gradação em todas as suas paixões, mas em particular, na ira, tristeza e medo. Calmamente, consinta, no que quer que seja a vontade de Deus. Aprenda, em todo o estado em que você se encontra, com o que estar satisfeito. Seja meigo com o bom: Seja gentil, em direção a todos os homens; mas, especialmente, em direção ao maldoso e ingrato. Cuide, não apenas das expressões exteriores de raiva, como chamar seu irmão, raca, ou tolo; mas de toda emoção interior contrária ao amor, embora ela não vá mais além do que o coração. Fique indignado, diante do pecado, como uma afronta oferecida à Majestade do céu; mas, ainda assim, ame o pecador: Como nosso Senhor, que 'olhou indignado para os fariseus a sua volta, estando aflito, por causa da dureza de seus corações'. Ele estava aflito pelos pecadores, e irado diante do pecado. Portanto, esteja 'indignado, e não peque!'.

9. Agora, estejam famintos e sedentos, não pela 'carne que perece, mas pelo que dura a vida eterna'. Pisoteie o mundo, e as coisas do mundo; todas essas riquezas, honras, e prazeres. O que é o mundo para você? Deixe que os mortos enterrem seus mortos; mas siga em busca da imagem de Deus. Abstenha-se de extinguir aquela sede abençoada, se ela já excitou a sua alma, pelo que é vulgarmente chamado religião; um pobre e estúpido disfarce; a religião da forma, da mostra exterior, que deixa o coração ainda apegado ao pó; tão mundano e sensual, como nunca. Que nada satisfaça a você, a não ser o poder da santidade; a não ser a religião, que é espírito e vida; o habitar em Deus, e Deus em você; o ser um habitante da eternidade; o entrar, através do sangue do aspergido 'sem máscara', e 'sentando-se em lugares celestiais com Jesus Cristo!'.

10. Agora, vendo que você tudo pode, porque Cristo o fortalece, seja misericordioso como seu Pai que está no céu é misericordioso! Ame ao seu próximo como a si mesmo! Ame seus amigos e inimigos como a sua própria alma! E permita que o seu amor seja longânime e paciente em direção a todos os homens. Que ele seja gentil, delicado, benigno; inspirando você com a doçura mais amável, e a mais fervorosa e terna afeição. Que ele se regozije na verdade, onde quer que ela seja encontrada; a verdade que está em busca da santidade. Desfrute do que quer que traga a glória para  Deus, e promova a paz e a boa-vontade entre os homens. No amor, cubra todas as coisas, -- do morto e do ausente não fale coisa alguma, a não ser o que é bom; creia em todas as coisas que, de alguma forma, possa limpar o caráter de seu próximo; espere todas as coisas em seu favor; e suporte todas as coisas, triunfando sobre toda oposição: porque o amor verdadeiro nunca falha, no tempo, ou na eternidade.

11. Agora, seja puro de coração; purificado, através da fé, de toda afeição não santa; 'limpando a si mesmo de toda sujidade da carne e espírito; e aperfeiçoando a santidade no temor de Deus'. Sendo, através do poder de sua graça, purificado do orgulho, pela profunda pobreza de espírito; da ira, de toda paixão indelicada e turbulenta, pela humildade e misericórdia; de todo desejo, a não ser o de agradar e satisfazer a Deus, pela fome e sede de justiça; agora, ame ao Senhor seu Deus, com todo o seu coração, e com todas as suas forças!. 

12. Em uma palavra: Que sua religião seja a religião do coração. Que ela se estenda profundamente, no mais íntimo de sua alma. Seja pequeno, comum, insignificante e vil (além do que as palavras possam expressar) aos seus próprios olhos; maravilhado e humilhado ao pó, pelo amor de Deus que está em Jesus Cristo. Seja sério. Permita que todo o fluxo de seus pensamentos, palavras e ações fluam da mais profunda convicção de que você se situa na beira do grande abismo – você, e todos os filhos dos homens, prontos para caírem, tanto na glória eterna, quanto no fogo eterno! Permita que sua alma seja preenchida com mansidão, gentileza, paciência, longanimidade, em direção a todos os homens; -- ao mesmo tempo, tudo que esteja em você seja sedento de Deus, do Deus vivo; desejando acordar em busca de sua semelhança, e estar satisfeito com ela! Seja um amante de Deus e de toda a humanidade! Em seu espírito faça e sofra todas as coisas. Assim, mostre a sua fé, através de suas obras; assim, 'faça a vontade de seu Pai que está nos céus!'. E, assim, como é certo que agora você caminha com Deus na terra, você também reinará com Ele na glória!



[Editado por Debi Carter, estudante da Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]

sábado, 24 de setembro de 2011

ESTUDOS DOUTRINÁRIOS / ABRAÃO NO EGITO

ABRÃO NO EGITO

Gn:  12:9 a 20

O SENHOR havia mandado Abrão ir para a terra dos cananeus, e ali prometeu dar a terra aos seus descendentes. Depois de atravessar a terra de norte a sul, peregrinando na terra da promessa como em terra alheia, habitando em tendas (Hebreus 11:8-9), Abrão continuou seguindo em direção ao sul, para o Neguebe, uma região sujeita a secas freqüentes. Era o caminho para quem vai ao Egito.
Havia fome naquela terra: por ser uma região semi-árida, as colheitas eram escassas, e as pastagens secavam impedindo a alimentação dos animais.
O Egito, graças ao delta do rio Nilo, tinha água suficiente para sustentar a agricultura e pastagens para os animais. Por isso Abrão seguiu para lá, afastando-se da terra para onde Deus o havia mandado. Na Bíblia, o Egito simboliza o mundo. Assim como Abrão, muitos crentes são tentados pelas atrações do mundo, que parece oferecer um estilo de vida agradável e se esquecem da santificação necessária aos que pertencem a Deus.
A população do Egito ainda era pequena naquele tempo, e a chegada de Abrão com seu séquito de servos, manadas e rebanhos atrairia muita atenção. Mas sua preocupação maior era sua própria segurança, pois sua esposa Sarai era muito formosa, embora tivesse 65 anos de idade (estava ainda no auge de sua beleza, pois viveu 127 anos); os egípcios poderiam cobiçá-la, e matar Abrão para ficar com ela.
Para evitar esse perigo, ele usou de um artifício: mandou Sarai dizer aos egípcios que era apenas irmã dele (o que era verdade, pois também era filha de Terá, mas de outra mulher que a mãe de Abrão - Gênesis 20:12). Assim, se eles se apaixonassem por ela, eles tratariam bem não só a ela, mas também a ele por ser seu irmão.
Este ato de Abrão, nos parece muito censurável, pois não somente ele iria iludir os egípcios faltando com a verdade, mas também parece demonstrar um enfraquecimento de sua fé.
O que ele previa aconteceu: o próprio Faraó recebeu Sarai em sua casa com a intenção de fazê-la sua esposa, e tratou bem a Abraão que ali enriqueceu muito. É provável que a situação de Sarai, separada dele e morando com Faraó, tenha trazido grande amargura para Abrão.
Mas o SENHOR interveio, punindo Faraó e sua família com grandes pragas: não temos sua descrição, mas levaram Faraó a descobrir que Sarai, além de irmã, era também esposa de Abrão.
Faraó repreendeu Abrão por tê-lo iludido, e o expulsou com sua esposa e todos os seus bens.


SERMÃO DE JOHN WESLEY - O QUE É O HOMEM? - PARTE 2

O QUE É O HOMEM?
2a. Parte
John Wesley



'Que é o homem mortal para que te lembres dele?
E o filho do homem, para que o visites?' (Salmos 8:4)


1. Mais do que isto, o que sou eu? Com a ajuda de Deus, eu irei considerar a mim mesmo. Aqui está uma máquina curiosa, 'terrivelmente e maravilhosamente feita'. É uma pequena porção de terra; das partículas da qual aderem, e não sei como, estendidas em incontáveis fibras, milhares de vezes mais finas do que os fios de cabelo. Essas cruzam umas às outras, em todas as direções, e são espantosamente forjadas em membranas; que, por sua vez, são forjadas em artérias, veias, nervos, e glândulas; as quais contêm vários fluídos, circulando, constantemente, através de toda máquina.

2. Para a finalidade desta circulação, uma quantidade considerável de ar é necessária. E isto continuamente, através de um mecanismo adequado para este mesmo propósito. Mas como uma partícula de fogo etéreo é ligada a toda partícula de ar (e uma partícula de água também), assim, tanto o ar, quanto água e fogo são recebidos, juntos, nos pulmões, onde o fogo é separado do ar e água, que são continuamente expelidos; enquanto o fogo, extraído de ambos, é recebido em seu interior e misturado com o sangue. Assim, o corpo humano é composto de todos os quatro elementos, devidamente proporcionados, e misturados; o último do qual constitui a chama vital, de onde flui o calor humano.

 3. Deixe-me considerar isto um pouco mais além... Não é a função primária dos pulmões administrar o fogo para o corpo, o qual é continuamente extraído do ar, através daquela curiosa lareira? Por inspiração, toma-se o ar, água e fogo, juntos. Em suas numerosas células (comumente chamadas de vasos aéreos) separa-se o fogo do ar e água. Este, então, mistura-se com o sangue; uma vez que todo vaso aéreo tem um vaso sanguíneo unidos a ele: E, tão logo o fogo é extraído, o ar e água são expelidos pela expiração.

4. Sem esta fonte de vida; este fogo vital, não poderia haver circulação do sangue; conseqüentemente, nenhum movimento de quaisquer dos fluídos, -- dos fluídos nervosos, em específico, (se não for, mais precisamente, como é altamente provável, que seja deste mesmo fogo que estamos falando a respeito). Portanto, não haveria qualquer sensação, nem qualquer movimento muscular. Eu digo que não haveria circulação, porque a causa usualmente afirmada para isto, ou seja, a força do coração, é completamente inadequada para o efeito suposto. Ninguém supõe que a força do coração, em um homem forte, seja equivalente ao peso de três mil libras. Considerando que ele requer a força igual ao peso de cem mil livras, para propelir o sangue do coração, através de todas as artérias. Isto pode apenas ser levado a efeito, através do fogo etéreo contido no próprio sangue, assistido pela força elástica das artérias, em que ele circula.

5. Mas, além desta estranha composição dos quatro elementos, -- terra, água, ar e fogo, -- eu encontro alguma coisa em mim de uma natureza completamente diferente; nada semelhante a algum desses. Eu encontrei alguma coisa em mim que pensa; que nem a terra, água, ar e fogo; nem alguma mistura deles, pode possivelmente fazer: Tendo percebido objetos, através de alguns desses sentidos, ela forma idéias interiores deles. Ela julga, concernente a eles; ela vê, se eles concordam ou discordam uns com os outros. Ela raciocina concernente a eles: ou seja, infere uma proposição de outra. Ela reflete sobre suas próprias operações; ela é investida de imaginação e memória; e alguma de suas operações, julgamento, em específico, pode ser subdividido em outras.

6. Mas, por quais meios eu poderei aprender em que parte de meu corpo este princípio pensante está situado? Alguns homens eminentes afirmaram que ele é 'tudo em tudo, e está em todas as partes'. Mas, eu não consegui saber nada disto: Estas parecem ser palavras que não têm um significado determinado. Vamos, então, apelar, da melhor maneira que pudermos, para nossa própria experiência. Desta eu aprendi que este princípio pensante não está situado em minhas mãos, pés, pernas ou braços. Não está situado no tronco de meu corpo. Qualquer um pode se assegurar disto, através de uma pequena reflexão. Eu não posso conceber que ele esteja situado em meus ossos, ou em alguma parte de minha carne. Assim sendo, tanto quanto eu posso julgar, parece que ele está situado em alguma parte de minha cabeça; mas se na glândula pineal, ou em qualquer outra parte do cérebro, eu não sou capaz de determinar.

7. Mas, mais além: Este princípio interior, onde quer que este situado, ele é capaz, não apenas de pensar, mas igualmente de mar, odiar, sentir alegria, tristeza, desejo, medo, esperança, e ai por diante, e toda uma série de outras emoções interiores, que são comumente chamadas de paixões ou afeições. Elas são denominadas, por um entendimento geral, de vontade: e são misturas e diversificadas em milhares de maneiras; parecendo ser a única fonte de ação naquele princípio interior que eu chamo de alma.

8. Mas o que é minha alma? Esta é uma questão importante e não é fácil de ser respondida.

Ouve tu submisso, mas de um nascimento humilde,
A algumas partículas separadas da mais fina terra?
Um efeito claro de que a natureza tem de procriar,
quando o movimento ordena, e quando os átomos se encontram?

Eu não posso de maneira alguma acreditar nisto. Minha razão recua diante disto. Eu não posso ficar satisfeito com o pensamento de que a alma é tanto terra, água, ou fogo; ou uma composição de todos eles juntos, fosse apenas por esta razão simples: -- Todos esses, quer separados, ou compostos, de alguma maneira possível, são puramente passivos ainda. Nenhum deles tem o menor poder de automovimento; nenhum deles pode mover-se por si mesmo. 'Mas', diz alguém, 'aquela embarcação não se move?'. Sim; mas não por si mesma; ela é movida pela água na qual ela flutua. 'Mas, então, a água se move'. Verdade; mas a água é movida pelo vento, a corrente de ar. 'Mas o ar se move'. Ele é movido pelo fogo etéreo, que está unido a cada partícula dele; e este mesmo fogo é movido, através do Espírito Todo Poderoso, a fonte de todo movimento no universo. Assim sendo, minha alma tem Dele, um princípio de movimento interior, por meio do qual, ela governa com prazer todas as partes do corpo.

9. Ela governa cada movimento do corpo, apenas com esta exceção, e que é um maravilhoso exemplo da sábia e graciosa providência do grande Criador: Existem alguns movimentos do corpo que são absolutamente necessários para a continuidade da vida; tais como dilatação e contração dos pulmões; a sístole e diástole do coração; a pulsação das artérias; e a circulação do sangue. Esses não são governados, por mim, como me aprouver: eles não esperam a direção de minha vontade. E é bom que não façam isto. É altamente apropriado que todos os movimentos vitais possam ser involuntários; seguindo em frente, quer aludamos a eles ou não. Fosse de outra forma, inconveniências graves poderiam se seguir. Um homem poderia colocar um fim em sua própria vida, quando for que lhe agradasse, interrompendo o movimento de seu coração, ou de seus pulmões; ou ele poderia perder sua vida, por mera desatenção, -- por não se lembrar, e não estar atento à circulação do sangue. Mas, com exceção desses movimentos vitais, eu dirijo o movimento de todo meu corpo.  Embora eu não compreenda como eu faça isto, tanto quanto eu não posso compreender como 'TRÊS que testemunham nos céus são UM'.

10. Mas o que eu sou? Indiscutivelmente, eu sou alguma coisa distinta de meu corpo. Parece evidente que meu corpo não está necessariamente incluído nela.  Porque quando meu corpo morre, eu não devo morrer: eu devo existir tão real quanto anteriormente. E eu não posso deixar de acreditar que este automovimento, princípio pensante - com todas as suas paixões e afeições, irá continuar a existir, embora o corpo esteja emoldurado dentro do pó. Na verdade, no momento, este corpo está tão intimamente ligado com a alma, que eu pareço consistir de ambos. Em meu presente estado de existência, eu indubitavelmente consisto de alma e corpo. E assim, eu devo novamente, depois da ressurreição, para toda a eternidade.

11. Eu estou consciente de uma mais propriedade, comumente chamada de liberdade. Ela é muito freqüentemente confundida com a vontade; mas é de uma natureza muito diferente. Nem se trata de uma propriedade da vontade, mas uma propriedade distinta da alma; capaz de ser manifestada com respeito a todas as faculdades da alma, assim como todos os movimentos do corpo. É um poder de autodeterminação, que, embora ele não se estenda a todos os nossos pensamentos e imaginações, ainda assim, se estende às nossas palavras e ações em geral, e não com muitas exceções. Eu estou completamente certo disto, de que eu sou livre, com respeito a esses, para falar ou não falar; para agir ou não agir; fazer isto ou ao contrário, quanto estou de minha própria existência. Eu não tenho apenas o que é denominado de 'liberdade de contradição', -- o poder de fazer ou não fazer, mas o que é denominado de 'poder da contrariedade', -- um poder de agir de uma maneira, ou de maneira contrária. Negar isto seria negar a experiência constante de toda espécie humana. Cada um sente que ele tem um poder inerente de mover esta ou aquela parte de seu corpo; de mover isto ou não; de mover deste modo ou ao contrário, como lhe aprouver.

Eu posso, quando eu escolho (e assim pode cada um que é nascido da mulher) abrir ou fechar meus olhos, falar; ou ficar em silêncio; levantar-me ou me sentar; esticar minha mão, ou recolhê-la; e usar de algum de meus membros, como me agradar, assim como todo meu corpo. E embora eu não tenha poder absoluto sobre minha própria mente, por causa da corrupção de minha natureza; ainda assim, através da graça de Deus me assistindo, eu tenho o poder de escolher e fazer o bem, tanto quanto o mal. Eu sou livre para escolher a quem servir; e se eu escolho a melhor parte, para continuar nela, até mesmo na morte.

Mas diga-me, trêmula criatura, o que é morte?
O sangue apenas que pára; e a respiração interrompida?
O mais extremo limite de um estreito palmo?
E até mesmo do movimento, que com a vida se inicia?

12. A morte é propriamente a separação da alma do corpo. Disto nós estamos certos. Mas nós não estamos certos (pelo menos em muitos casos) do momento em que esta separação é feita. É quando a respiração cessa? De acordo com uma máxima bem conhecida, 'quando não existe respiração, não existe vida'. Mas nós não podemos absolutamente afirmar tal coisa: porque muitos exemplos têm sido trazidos, daqueles cuja respiração esteve totalmente perdida, e, ainda assim, suas vidas foram recuperadas. É quando o coração não mais bate, ou quando a circulação do sangue cessa? Não exatamente. Porque o coração pode bater novamente; e a circulação do sangue, depois de estar completamente interrompida, começar de novo. Então, a alma é separada do corpo, quando todo o corpo está rijo e frio, como um pedaço de gelo? Mas recentemente existem muitos exemplos de pessoas que estavam assim geladas e rijas, e não tinham sintomas de vida remanescente, que, não obstante, com uma aplicação apropriada, recobraram a vida e a saúde. Portanto, nós não podemos mais dizer que a morte é a separação da alma do corpo; mas em muitos casos, apenas Deus pode dizer o momento daquela separação.

13. Mas o que nós estamos preocupados em saber, e profundamente preocupados em considerar é a finalidade da vida. Mas para que finalidade a vida é concedida a meus filhos? Por que fomos enviados para este mundo? Para uma única finalidade, e nenhuma outra: para que nos preparemos para a eternidade. Para isto tão somente, nós vivemos. Para isto, e nenhum outro propósito, nossa vida nos foi dada ou tem continuidade. Agradou ao Todo sábio Deus, na época em que Ele viu que era bom, levantar-se na grandiosidade de sua força, e criar os céus e terra, e todas as coisas que neles existem. Tendo preparado todas as coisas para ele, Ele 'criou o homem à sua própria imagem, segundo sua própria semelhança'. E qual foi a finalidade de sua criação? Apenas uma, e nenhuma outra, -- para que ele soubesse e amasse, e se regozijasse, e servisse ao seu grande Criador para toda eternidade.

14. Mas 'o homem, estando em honra, não continuou', mas tornou-se inferior, até mesmo, às bestas que perecem. Ele decididamente e abertamente rebelou-se contra Deus, e atirou fora sua submissão à Majestade dos céus. Por este meio, ele instantaneamente perdeu tanto o favor de Deus, quanto a imagem de Deus em que ele foi criado. Quando ele foi, então, incapaz de obter felicidade através da antiga aliança, Deus estabeleceu uma nova aliança com o homem; os termos da qual não foi 'faça isto e viva', mas, 'creia e você será salvo'. Mas, ainda assim, a finalidade do homem é uma só e a mesma; apenas ela se situa em um outro fundamento. Porque o teor claro dela é: 'Creia no Senhor Jesus Cristo, aquele a quem Deus enviou para ser a reparação para seus pecados, e você será salvo'; primeiro, da culpa do pecado, tendo a redenção, através do seu sangue; então, do poder do pecado, que não mais domina sobre você; e então, da raiz do pecado, para a imagem total de Deus. E sendo restaurado, ambos para o favor e imagem de Deus, você deverá conhecer, amar e servir a Ele para toda a eternidade. De modo que a finalidade de sua vida; a vida de todo aquele nascido no mundo é conhecer, amar, e servir ao seu grande Criador.

15. Observe que, como assim é a finalidade, então esta é toda e a única finalidade para a qual todo homem sobre a face da terra, ou cada um de nós, foi trazido para o mundo, e dotado de uma alma vivente. Lembre-se! Nós não nascemos para coisa alguma mais. Nós não vivemos para coisa alguma mais. Sua vida e a minha continuam na terra, para nenhum outro propósito que este, para que possamos conhecer, amar e servir a Deus na terra, e nos regozijarmos nele para toda a eternidade. Considere! Nós não fomos criados para satisfazermos os nossos sentidos, para gratificarmos a nossa imaginação, para ganharmos dinheiro, ou louvarmos a homens; para buscarmos felicidade em algum bem criado, em alguma coisa debaixo do sol. Tudo isto é 'caminhar em sombra vã'; é conduzir uma vida impaciente e miserável, com o objetivo de uma eternidade miserável. Ao contrário, fomos criados para isto, para nenhum outro propósito; para buscarmos e encontramos felicidade em Deus na terra; para afirmarmos a glória de Deus no céu. Portanto, que nossos corações digam continuamente: 'Está é a única coisa a ser feita', -- ter uma coisa em mente, nos lembramos do porquê nós nascemos, e do porquê continuamos a viver, -- 'para atingirmos a marca'. Eu objetivo uma única finalidade para minha existência, Deus; 'Deus em Cristo reconciliando o mundo para si mesmo'. Ele deverá ser meu Deus para sempre e sempre, e meu guia, até mesmo na morte!

Bradford, 02 de Maio de 1788.

John Wesley tinha 85 anos; três anos antes de falecer

[Editado por George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]