sábado, 19 de novembro de 2011

SERMÃO DE JOHN WESLEY - A FINALIDADE DA VINDA DE CRITO

A Finalidade da Vinda de Cristo
John Wesley

'Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo'. (I João 3:8)

1. Muitos escritores eminentes, pagãos, assim como cristãos, nos séculos, precedentes e recentes, têm empregado todo seu trabalho e habilidade em retratar a beleza da virtude. E os mesmos esforços têm sido tomados para descrever, nas cores mais vivas, a deformidade da imoralidade; da imoralidade em geral, e daquelas específicas, as quais foram mais predominantes, em suas respectivas épocas e regiões. Com igual cuidado, eles colocaram, sob uma luz mais convincente, a felicidade que atende a virtude, e a miséria que usualmente acompanha a imoralidade, e sempre a segue.

Pode-se reconhecer que tratados deste tipo não são totalmente sem seu uso. Provavelmente, por meio deles, alguns, por um lado, têm sido estimulados a desejarem e a seguirem em busca da virtude; e alguns, por outro, têm interrompido sua carreira de imoralidade, -- talvez, reclamando dela, pelo menos, por algum tempo. Mas a mudança efetuada nos homens, através desses meios, raramente é profunda ou total: Muito menos, é durável; em um pequeno espaço de tempo, ela desaparece, como uma nuvem matutina. Tais motivos são muito fracos para superarem as tentações inumeráveis que nos circundam. Tudo que se possa dizer a respeito da beleza e vantagem da virtude, e da deformidade, e os efeitos danosos da imoralidade, não pode resistir, e muito menos superar e remediar um apetite e paixões irregulares. 

2. Existe, portanto, uma necessidade absoluta, se, alguma vez, pudermos subjugar a imoralidade, ou perseverarmos firmemente na prática da virtude, de termos armas de um tipo melhor do que essas; do contrário, veremos o que é certo, mas não poderemos alcançá-lo. Muitos homens de reflexão, em meios aos próprios ateus estiveram profundamente sensíveis disto.

Quão exatamente concordante com as palavras do Apóstolo: (Personalizando um homem consciente do pecado, mas não ainda o subjugando) 'O bem que eu poderia, eu não faço; mas o mal que eu não poderia, este eu faço!'. A impotência da mente humana, mesmo do filósofo romano poderia descobrir: 'Existe em qualquer homem', diz ele, 'essa fraqueza'; (ele poderia ter dito, esta ferida inflamada) – a sede pela glória. A natureza indica a enfermidade; mas a natureza não nos mostra remédio'.

3. Nem é de se admirar que, embora eles buscassem por um remédio, ainda assim, eles não encontraram remédio algum. Porque eles o buscaram onde ele nunca foi, e nunca será encontrado, ou seja, em si mesmos; na razão, na Filosofia: Em que não se pode confiar, bolhas, fumaça! Eles não o buscaram em Deus, em quem, tão somente, é possível encontrá-lo. Em Deus! Não; eles repudiaram totalmente isto; e em termos mais fortes. Porque, embora Cícero, um de seus oráculos, tenha uma vez tropeçado sobre aquela estranha verdade: 'Nunca houve algum grande homem que não tenha sido divinamente inspirado'; ainda assim, no mesmo trato, ele contradiz a si mesmo, e subverte sua própria afirmativa, por perguntar: 'Quem, alguma vez, retribuiu a Deus agradecimento pela própria virtude ou sabedoria?'. O poeta romano é, se possível, mais explícito; quem, depois de mencionar diversas bênçãos exteriores, honestamente acrescenta: -- Nós perguntamos a Deus, o que ele pode dar ou tomar, -- vida; posses; mas virtuoso eu mesmo me faço.

4. Os melhores deles, tanto buscaram a virtude parcialmente de Deus, e parcialmente de si mesmos; quanto a buscaram desses deuses que eram, de fato, diabos, e assim, não igualmente para tornarem seus adoradores melhores do que si mesmos. Tão sombria foi a luz do mais sábio dos homens, até que a 'vida e imortalidade fossem trazidas para a luz, através do Evangelho'; até que 'o Filho de Deus foi manifestado para destruir as obras do diabo!'.

I. Mas quais são 'as obras do diabo', aqui mencionadas?

II. Como 'o Filho de Deus foi manifestado' para destruí-las?

III. E como, de que maneira, e através de que passos, ele atualmente as 'destrói'?

Esses três pontos muito importantes, nós iremos considerar em sua ordem.

I

1. Quais são as obras do diabo, nós aprendemos das palavras precedentes e seguintes do texto:

(I João 3:3-6) 'E qualquer que nele tem esta esperança purifica-se a si mesmo, como também ele é puro. Qualquer que comete pecado, também comete iniqüidade; porque o pecado é iniqüidade. E bem sabeis que ele se manifestou para tirar os nossos pecados; e nele não há pecado. Qualquer que permanece nele não peca; qualquer que peca não o viu nem o conheceu'; porque o diabo peca desde o começo. Para este propósito, foi que o Filho de Deus se manifestou, para que pudesse destruir as obras do diabo:

(I João 3:8) 'Quem comete o pecado é do diabo; porque o diabo peca desde o princípio. Para isto o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo'.

(I João 3:9) ' Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus'. De maneira que parece que 'as obras do diabo', aqui faladas, são os pecados, e os frutos do pecado.

2. Mas, desde que a sabedoria de Deus dissipou as nuvens que, por tanto tempo cobriram a terra, e colocou um fim nas conjecturas infantis dos homens, concernentes à essas coisas, pode ser útil ter uma visão mais distinta dessas 'obras do diabo'; tanto quanto os oráculos de Deus nos instruem. É verdade que o objetivo do Espírito Santo foi assistir nossa fé, e não gratificar nossa curiosidade; e, portanto, o relato que ele tem dado, nos primeiros capítulos de Gênesis é excessivamente breve. Não obstante, ele é tão claro, que nós podemos aprender do que quer que nos concerne saber.

3. Para começar do início: 'O Senhor Deus' (literalmente, Jeová, os Deuses; ou seja, Um e Três) 'criou o homem a sua própria imagem'; -- em sua imagem natural, como para sua melhor parte; isto é, um espírito, como Deus é um espírito; dotado com entendimento; que, se não é a essência, parece ser a propriedade mais essencial de um espírito. Provavelmente o espírito humano, assim como o angelical, discerniu, então, a verdade, através da intuição. Conseqüentemente, ele nomeou cada criatura, tão logo ele a viu, de acordo com sua natureza íntima. Ainda assim, o conhecimento era limitado, já que ele era uma criatura: Portanto, a ignorância era inseparável dele; mas o erro não era; não parece que ele era um equivoco em qualquer coisa. Mas ele era capaz de errar; de se iludir, embora não fosse compelido a isto.

4. Ele era dotado também com a vontade, com as várias afeições; (que são apenas a vontade manifestando-se de várias maneiras), para que possa amar, desejar, e deleitar-se no que fosse bom: Do contrário, seu entendimento não teria tido propósito. Ele era igualmente dotado com a liberdade; o poder de escolher o que é bom, e recusar o que não é. Sem isto, ambos, a vontade e o entendimento, poderiam ter sido absolutamente inúteis. De fato, sem a liberdade, o homem teria estado longe de ser um agente livre; de tal modo que ele não poderia ter sido um agente, afinal. Porque toda existência, não livre, é puramente passiva; não ativa, em qualquer grau. Você tem uma espada em sua mão? Um homem, mais forte do que você poderia prendê-lo, e forçá-lo a ferir uma terceira pessoa? Nisto, você não seria o agente; não mais do que sua espada: A mão é tão passiva, quanto o aço. Assim é, em todo caso possível. Ele que não é livre, não é um agente, mas um paciente.

5. Portanto, parece que cada espírito no universo, como tal, é dotado com entendimento, e, em conseqüência, com uma vontade, e com uma medida de liberdade; e que esses três são inseparavelmente unidos em cada natureza inteligente. Liberdade forçada, ou dominada, não é liberdade, afinal. É uma contradição em termos. É o mesmo que liberdade não livre; ou seja, inequívoco contra-senso.

6. Pode ser observado, mais além, (e é uma observação importante) que onde não existe liberdade, não pode haver boa ou má moral; nenhuma virtude, ou depravação. O fogo nos aquece; ainda assim, não é capaz de virtude. Ele nos queima; ainda assim, não é depravação. Não existe virtude, mas onde criatura inteligente conhece, ama, e escolhe o que é bom; nem existe alguma imoralidade, mas onde tal criatura conhece, ama, e escolhe o que é mal.

7. E Deus criou o homem, não apenas à sua imagem natural, mas igualmente, à sua imagem moral. Ele o criou não apenas 'no conhecimento', mas também na retidão e santidade verdadeira. Como seu entendimento foi sem mancha, perfeito em sua espécie; assim, foram todas as suas afeições. Elas foram todas corrigidas, e devidamente exercitadas em seus objetivos apropriados. E como um agente livre, ele escolheu firmemente o que era bom, de acordo com a direção de seu entendimento. E em fazer isto, ele foi inexplicavelmente feliz; habitando em Deus, e Deus nele; tendo uma camaradagem ininterrupta com o Pai e o Filho, através do Espírito eterno; e o contínuo testemunho de sua consciência, para que todos os seus caminhos fossem bons e aceitáveis para Deus. 

8. Ainda assim, sua liberdade (como foi observado antes), necessariamente, incluiu o poder de escolher ou recusar o bem e o mal. De fato, tem-se duvidado que o homem pudesse, então, escolher o mal, sabendo que ele é tal. Mas não se pode duvidar que ele possa tomar o mal pelo bem. Ele não era infalível; portanto, não era impecável. E isto se esclarece na dificuldade total da grande questão: 'Como o mal entrou no mundo?'. Ele veio de 'Lúcifer, filho da manhã'. Foi obra do diabo. 'Porque o diabo'¸ diz o Apóstolo, 'pecou, desde o início'; ou seja, ele foi o primeiro pecador no universo, o autor do pecado, o primeiro ser que, através do abuso de sua liberdade, introduziu o mal na criação. Ele foi um dos primeiros, se não, o primeiro arcanjo que se permitiu tentar, ao pensar mais altamente de si mesmo. Ele livremente entregou-se à tentação; e deu caminho, primeiro, ao orgulho, então, à vontade própria. Ele disse: 'Eu me sentarei nos lados do norte: Eu seria como o Altíssimo'. Ele não caiu sozinho, mas logo carregou consigo uma terceira parte das estrelas do céu; em conseqüência do que, elas perderam sua glória e felicidade, e foram dirigidas para fora de sua habitação anterior.

9. 'Tendo grande ira', e, talvez, inveja da felicidade das criaturas a quem Deus havia recém criado, não é de se estranhar que ele pudesse desejar e se esforçar para privá-las dela. Com este objetivo, ele se ocultou na serpente, que era a mais sutil, ou inteligente de todas as criaturas brutas; e, desta forma, a menos propensa a levantar suspeita. De fato, alguns supõem (não improvavelmente) que a serpente foi, então, dotada com alguma razão e linguagem. Não tivesse Eva sabido que ela era, teria admitido alguma conferência com ela? Como o Apóstolo observa que ela teve. Para enganá-la, satanás misturou a verdade com a falsidade: -- 'Deus não disse que você podia comer de toda a árvore do jardim?' – e logo depois, a persuadiu a desacreditar de Deus, por supor que seu trato não poderia ser cumprido. Ela, então, ficou propensa a toda a tentação: -- Ao 'desejo da carne'; porque a árvore era 'boa para o alimento': Ao 'desejo dos olhos'; porque ela era 'agradável a estes': E ao 'orgulho da vida'; porque ela era 'desejável para tornar alguém sábio', e, conseqüentemente, honrado. Então a descrença gerou o orgulho: Ela se considerou mais sábia do que Deus; capaz de encontrar um caminho melhor para a felicidade do que Deus a havia ensinado. Ela gerou a vontade própria: Ela estava determinada a fazer a sua própria vontade, e não a vontade Dele que a fez. Ela gerou os desejos tolos; e completou a todos, através do pecado exterior: 'Ela tomou do fruto, e o comeu'.

10. Ela, então, 'deu ao seu marido, e ele comeu'. E, naquele dia; sim, naquele momento, ele morreu! A vida de Deus foi extinta de sua alma. A glória partiu dele. Ele perdeu toda a imagem moral de Deus, -- a retidão e a santidade verdadeira. Ele era impuro; e era infeliz; ele era cheio de pecado; cheio de culpa e medos torturantes. Separado de Deus, e olhando a si mesmo agora como um Juiz cruel, 'ele teve medo'. Mas, como seu entendimento foi enegrecido, ao pensar que ele poderia 'esconder-se da presença de Deus, em meio às árvores do jardim!'. Assim, sua alma foi totalmente morta para Deus! E, naquele dia, seu corpo igualmente começou a morrer, -- tornou-se odioso para a fraqueza, doença e dor; todas preparatórias para a morte do corpo, que, naturalmente, conduz à morte eterna.

II

Tais eram 'as palavras do diabo'; pecado e seus frutos; considerados em sua ordem e conexão. Nós, em Segundo Lugar, vamos considerar como Filho de Deus foi manifestado com o objetivo de destruí-las.

1. Ele foi manifestado como o único Filho Unigênito de Deus, em glória e igual com o Pai, para os habitantes dos céus, antes e quando da fundação do mundo. Essas 'estrelas da manhã cantaram juntas'; todos esses 'filhos de Deus gritaram de alegria', quando eles o ouviram pronunciar: 'Haja luz; e houve luz'; -- quando ele 'espalhou o norte sobre o espaço vazio', e 'estendeu os céus como uma cortina'. De fato, foi uma crença geral na Igreja primitiva, que o Deus Pai, não teria visto, nem poderia ver; que de toda a eternidade ele teria habitado na luz inacessível; e foi apenas no Filho de seu amor, e através dele, que Ele revelou, naquele momento, a si mesmo às suas criaturas.

2. Como o Filho de Deus foi manifestado para nossos primeiros pais no paraíso, não é fácil determinar. Geralmente, e não é improvável, supôs-se que Ele apareceu a eles na forma de um homem, e conversou com eles face a face. Nem eu posso acreditar, afinal, no sonho engenhoso do Dr. Watts, concernente 'à gloriosa natureza humana de Cristo', a qual ele supõe ter existido, antes do mundo existir, e ter sido dotada com, eu não sei quais, poderes surpreendentes. Não, eu olho para isto, como um perigo enorme; sim, uma hipótese danosa, já que ela exclui completamente o valor de muitas Escrituras que se pensou, até aqui, provar a Divindade do Filho. E eu temo que seja um grande meio de deixar este grande homem, à parte da fé, uma vez, entregue aos santos; -- ou seja, se ele for colocado de lado; se aquele bonito monólogo for genuíno; aquele que foi impresso, entre suas Obras Póstumas, onde ele tão honestamente implora ao Filho de Deus, não se desagradar do fato de ele não poder acreditar que ele seja co-igual e co-eterno com o Pai.

3. Nós não podemos razoavelmente crer que foi por aspectos similares que Ele foi manifestado, em sucessivas épocas, para Enoque, enquanto ele 'caminhou com Deus'; para Noé, antes e depois do dilúvio; para Abraão, Isaque, e Jacó, em várias ocasiões; e, para não mencionar mais, para Moisés? Este parece ser o significado natural da palavra: 'Meu servo Moisés é fiel, em toda minha casa. – Com ele eu falo, boca a boca, mesmo aparentemente, e não em discursos obscuros; e a similitude de Jeová deverá ser observada'; ou seja, o Filho de Deus. 

4. Mas todos esses foram apenas tipos de sua grande manifestação. Foi, na plenitude do tempo (exatamente na idade média do mundo, como um grande homem prova largamente) que Deus 'trouxe seu Unigênito para o mundo, feito de uma mulher'; através do poder do Altíssimo, ofuscando-na. Ele, mais tarde, foi manifestado para os pastores; para o devoto Simeão; para Ana, a profetisa; e para 'todos que esperaram pela redenção em Jerusalém'.

5. Quando estava no tempo devido, para executar seu oficio sacerdotal, Ele foi manifestado para Israel; pregando o evangelho do reino de Deus, em toda região, e em toda cidade. E, por um tempo, foi glorificado por todos que reconheceram que Ele 'falava como nunca homem algum falara'; que 'Ele falava como alguém que tinha autoridade', com toda a sabedoria e poder de deus. Ele foi manifestado, através de inumeráveis 'sinais e maravilhas, e as obras poderosas que fez', assim como por toda sua vida; sendo o único nascido de uma mulher, 'que não conheceu pecado', que, desde seu nascimento, até sua morte, fez 'todas as coisas boas'; fazendo continuamente, 'não a sua vontade, mas a vontade Daquele que o enviara'.

6. Afinal, 'observe o Cordeiro de Deus, tirando os pecados do mundo!'. Esta foi a mais gloriosa manifestação de si mesmo, do que qualquer uma que ele tenha feito antes. Quão maravilhosamente ele foi manifestado aos anjos e homens, quando 'ele foi ferido por nossas transgressões'; quando ele 'carregou todos os nossos pecados em seu próprio corpo no madeiro'; quando, fez 'um sacrifício, expiação e penitência pelos pecados de todo o mundo, através do sacrifício único de si mesmo, uma vez oferecido', quando ele clamou: 'Está terminado; e tombou sua cabeça; e entregou seu espírito'. (Lucas 23:46) Pai, nas tuas mãos, eu entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou'. Nós necessitamos apenas mencionar algumas manifestações mais adiante, -- sua ressurreição dos mortos; sua ascensão aos céus, na glória que ele teve antes do mundo existir; e seu derramar do Espírito Santo no dia de Pentecostes; ambos belamente descritos naquelas bem conhecidas palavras do salmista: (Salmos 68:18) 'Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os teus inimigos,  para que o Senhor Deus habitasse em meio' ou 'neles''.

7. 'Para que o Senhor possa habitar neles': Isto se refere à ainda mais uma manifestação a mais do Filho de Deus; mesmo à manifestação interior de si mesmo. Quando ele falou disto para seus Apóstolos, pouco antes de sua morte, um deles imediatamente perguntou: 'Senhor, como tu irás te manifestar a nós e não ao mundo?' -- (João 14:22) 'Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): Senhor, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo?'. Por nos habilitar a crer em seu nome. Porque ele é, interiormente manifestado a nós, quando nós somos capazes de dizer com confiança: 'Meu Senhor, e meu Deus!'. Então, cada um de nós pode corajosamente dizer: 'A vida que eu agora vivo, eu vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e deu a si mesmo por mim'. (Gálatas 2:20) 'Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que eu agora vivo na carne, eu a vivo na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim'. E é por assim manifestar a si mesmo em nossos corações que ele efetivamente 'destrói as obras do diabo'.

III

1. Como Ele faz isto; de que maneira, e através de que passos, ele verdadeiramente as destrói, nós iremos agora considerar. Primeiro, como satanás começou sua obra em Eva, envenenando-a com a descrença, então, o Filho de Deus começa sua obra no homem, nos capacitando a crer Nele. Ele abre e ilumina os olhos de nosso entendimento. Fora da escuridão, ele ordena à luz que brilhe, e arranca o véu que o 'deus deste mundo' tinha espalhado sobre nossos corações. E nós, então, não através de uma corrente de raciocínio, mas através de uma espécie de intuição; através de uma visão direta de que 'Deus estava em Cristo, reconciliando o mundo para si mesmo; não imputando a eles suas primeiras transgressões'; não as imputando a mim. Naquele dia, 'nós saberemos que somos de Deus'; filhos de Deus pela fé; 'tendo redenção, através do sangue de Cristo, mesmo o perdão dos pecados'. 'Sendo justificado pela fé, nós teremos lugar com Deus, através de nosso Senhor Jesus Cristo'; -- aquela paz, que nos capacita, em todas as condições também a estarmos satisfeitos; que nos livra de todas as dúvidas desconcertantes; de todos os medos tormentosos; e, em particular, de todo 'medo da morte, por meio do qual, nós estivemos toda nossa existência, sujeitos à escravidão'. 

2. Ao mesmo tempo, o Filho de Deus golpeia a raiz da grande obra do diabo, -- o orgulho; fazendo com que o pecador se humilhe diante do Senhor, e abomine a si mesmo, de certo modo, se reduza ao pó e cinzas. Ele golpeia na raiz da vontade própria; capacitando o pecador humilhado a dizer em todas as coisas: 'Não como eu quero, mas como Tu queres'. Ele destrói o amor ao mundo; libertando aqueles que crêem Nele de 'todo desejo tolo e danoso'; do 'desejo da carne; do desejo dos olhos; do orgulho da vida'. Ele os poupa de buscar, ou de esperar encontrar felicidade em alguma criatura. Como satanás mudou o coração do homem do Criador para a criatura; então, o Filho de Deus mudou seu coração, da criatura para o Criador. Assim sendo, manifestando a si mesmo, Ele destrói as obras do diabo; restaurando o culpado, rejeitado de Deus, para seu favor, perdão e paz; o pecador, em quem não habita coisa boa, para o amor e santidade; o pecador oprimido e miserável, para a alegria inexprimível, para a felicidade real e substancial.

3. Mas pode ser observado, que o Filho de Deus não destrói toda a obra do diabo no homem, por quanto tempo ele permanece nesta vida. Ele ainda não a destrói a fraqueza corpórea, doença, dor, e milhares de enfermidades, próprias da carne e sangue. Ele não destrói toda aquela fraqueza de entendimento, que é a conseqüência natural da alma habitar um corpo corruptível; de modo que 'a ignorância e o erro', ainda, 'pertencem à humanidade'. Ele nos confia apenas uma porção muito pequena do conhecimento, em nosso estado presente; a fim de que nosso conhecimento não possa interferir com nossa humildade, e novamente possamos nos sentir como deuses. É para remover de nós toda tentação para o orgulho, e todo pensamento de independência - (que é a mesma coisa que os homens em geral tão sinceramente cobiçam, sob o nome de liberdade) - que ele nos deixa rodeados com todas essas enfermidades; particularmente, fraqueza de entendimento; até que a sentença tome lugar: 'Tu és pó, e ao pó retornarás!'.

4. Então, o erro, a dor, e todas as doenças corpóreas cessarão: Todas essas serão destruídas através da morte. E a própria morte, 'o último inimigo' do homem, deverá ser destruída na ressurreição. No momento em que ouvirmos o arcanjo e a trompa de Deus, 'então, será cumprido o que está escrito: a morte será tragada na vitória'. Este corpo 'corruptível deverá se tornar incorrupto'; esse corpo 'mortal deverá se tornar imortal'; e o Filho de Deus, manifestado nas nuvens do céu, deverá destruir esta última obra do diabo!

5. Aqui, então, nós vemos, em uma luz mais clara e forte, o que é a religião verdadeira: A restauração do homem, através Dele que esmaga a cabeça da serpente [Gênesis 3:15]; a restauração de tudo que a velha serpente o privou; a restauração, não apenas para o favor, mas, igualmente, para a imagem de Deus; implicando, não meramente no livramento do pecado, mas sendo preenchido com a plenitude de Deus. Evidentemente, se nós atendermos às considerações precedentes, de que nada menos do que isto seja religião cristã. Todas as demais coisas, se contrárias ou aparentes, estão completamente longe do alvo. Mas que paradoxo é este! Quão pouco, ela é entendida no mundo cristão; sim, nessa época erudita, onde é tido por certo que o mundo é mais sábio do que nunca foi antes, desde o início!

Em meio a todas as nossas descobertas, quem descobriu isto? Quão poucos, mesmo entre os cultos ou incultos! E, ainda assim, se nós cremos na Bíblia, quem poderá negá-la? Quem poderá duvidar dela? Ela está na Bíblia, do começo ao fim, em uma corrente unida; e o argumento de cada parte dela, com todas as outras, é, propriamente a analogia da fé. Cuide de não tomar qualquer coisa; ou qualquer coisa menos do que isto por religião! Nem coisa alguma a mais: Não imagine que uma forma exterior, uma sucessão de deveres, públicos ou privados, seja religião! Não suponha que a honestidade, a justiça, ou o que quer que seja chamado de moralidade (embora excelente em seu ligar) seja religião! E menos do que tudo, não fantasie que a ortodoxia, a opinião correta (vulgarmente chamada de fé) seja religião. De todas as fantasias religiosas, esta é a mais vã; a que toma feno e restolho por ouro, atirado ao fogo!

6. Não tome, nem mais nem menos, do que isto, como sendo a religião de Jesus Cristo! Não tome parte dela, como sendo o todo! O que Deus reuniu, não separe. Não aceite nada menos do que 'a fé que é operada pelo amor'; toda santidade interior e exterior, como religião Dele. Não esteja satisfeito com qualquer religião, que não implique na destruição de todas as obras do diabo; ou seja, de todos os pecados. Nós sabemos, que a fraqueza de entendimento, e milhares de enfermidades irão permanecer, enquanto restar este corpo corruptível; mas o pecado não precisa permanecer: Esta é a obra do diabo, eminentemente assim chamada, a que o Filho de Deus foi manifestado para destruir nesta vida atual. Ele é capaz; ele está desejoso de destruí-la agora, em todos que crerem Nele. Apenas não se restrinja a si mesmo! Não desconfie de seu poder ou de seu amor! Coloque sua promessa à prova! Ele tem falado: E ele não está pronto igualmente para executar? Apenas 'venha corajosamente para o trono da graça', confiando em sua misericórdia; e você se certificará que 'Ele salva ao extremo todos aqueles que vêm para Deus, através Dele!'.

[Editado por Amber Powers, estudante da  Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções por George Lyons para a  Wesley Center for Applied Theology.]


domingo, 6 de novembro de 2011

ESTUDOS DOUTRINÁRIOS / PROSPERIDADE PARTE 1

PROSPERIDADE  PARTE 1

 O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor. (Joel 1:4)

PENSAMENTO: O profeta Joel, ministro da época do Rei Joás, visualizou uma invasão de gafanhotos (locustas, gafanhotos, pulgões, lagartos e insetos vorazes) profetizando uma invasão de exércitos inimigos. Esta realidade pode ser constatada atualmente nas crises financeiras. Elas agem contra patrimônios, casa, carro, provocam acidentes, destroem famílias, casamentos e comunidades, gerando miséria, desmoralizando, sujando nome, provocando vergonha, luta, dor, angústias... suicídio. Vamos estudar isso com profundidade e aprender como se livrar das suas ações.

     Geralmente, quando uma família evangélica se vê em dificuldades financeiras, a primeira atitude a ser tomada é cortar o dízimo. O compromisso com Deus acaba ficando sem importância, para segundo plano, sendo programado para voltar a ser entregue "quando a situação melhorar". Entenda agora porque este procedimento é perigoso para quem conhece a Palavra de Deus. Veja porque Deus é fiel à Sua Palavra, a tal ponto de não poder mudar as circunstâncias financeiras da sua vida, caso você esteja retendo mais do que lhe é justo...

1. A assolação dos gafanhotos.
(Jl 1:4)

a)Cortador

- Age nas lavouras, estragando os frutos. Arruína a lavoura.


b)Migrador

- Age surpreendendo em bandos, aumentando o prejuízo feito pelo cortador.

c)Devorador

- Tipo violento que leva ao prejuízo e à falência.

d)Destruidor

- Poder de extermínio (escorpião): fere o agricultor e a família.


2. Os gafanhotos têm a sua estratégia.

JL.l 1:6 - Destroem dia e noite.

     "Porque veio um povo contra a minha terra, poderoso e inumerável; os seus dentes são dentes de leão, e ele tem os queixais de uma leoa."

3. Os gafanhotos têm uma ação específica.

Jl 1:7
- Comem folhas, destroçam figueiras, tiram a casca, os sarmentos tornam-se brancos, perdem as forças e ficam estéreis.

     "Fez de minha vide uma assolação, destroçou a minha figueira, tirou-lhe a casca, que lançou por terra; os seus sarmentos(1) se fizeram brancos."
4. As ações dos gafanhotos deixam sérias conseqüências.

Jl 1:12
- Vergonha, dor, lamento, pranto, luto, assolação, tristeza.

     "A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens."

5. Cada tipo de gafanhoto representa forças diabólicas que agem em patrimônios, bens, salários e riquezas.

a) Cortador
- Atua na vida material do desobediente, come a renda, destrói o salário. Come através do cigarro, das bebidas, dos jogos de azar, remédios, eletrodomésticos, carro (quebram), roupas que se estragam - joga fora o dinheiro.

b) Migrador - Inconstante, age com prejuízos e despesas inesperadas.

c) Devorador - São arrasadores. Geram miséria, dor, dívidas, prejuízos, fome, insônia e desemprego. Suas vítimas têm sua casa e bens tomados; não conseguem pagar compromissos, são envolvidos em negócios desonestos e perigosos, seus bens são levados a leilão, sofrem ameaças de morte por dívidas, ficam sem crédito, sem moral e sem valor. Tornam-se um lixo, sendo rejeitadas até pelos amigos, só contam miséria e desgraça. Portas se fecham, são despejadas, tudo que fazem é em vão e são levadas ao alcoolismo e às drogas.

d) Destruidor - Induz ao suicídio, desastres, morte, pavor, só restam cinzas.

6. Satanás rouba de quatro maneiras.

Jl 1:7
- Assola, destroça, tira a casa, lança por terra.
     "Fez de minha vide uma assolação, destroçou a minha figueira, tirou-lhe a casca, que lançou por terra; os seus sarmentos se fizeram brancos."
7. Deus abençoa de quatro maneiras tudo o que fazem por ele ou por sua obra.

Lc 6:38
- Boa medida, sacudida, recalcada(2) e transbordante.
     "dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida que tiverdes medido vos medirão também."
8. A sujeira deixada pelo gafanhoto.

- Comem 24 horas sem parar, defecam na mesma hora, sujando tudo. Quando agem na vida do homem, sujam seu nome, deixando-o sem crédito, sem moral, sem honra.
9. A invasão dos gafanhotos aconteceu porque o povo parou de contribuir.

Jl 1:13  -

     "Cingi-vos de pano de saco(3) e lamentai, sacerdotes; uivai, ministros do altar; vinde, ministros de meu Deus; passai a noite vestidos de saco; porque da casa de vosso Deus foi cortada a oferta de manjares e a libação(4)."

10. Como vencer o cortador, migrador, devorador e destruidor? Qual o antídoto?
Como parar a ação deles? Como proteger nossos bens, patrimônios e salários?
Qual o segredo para o cristão ter vitória sobre eles?

a) O dízimo é o antídoto de Deus - Só o dízimo repreende, impede de agir no patrimônio, em bens e em salários.

b) Há a garantia de Deus aos dizimistas.

Ml 3:10,11

     "Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.
Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide(5) no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos."

c) Deus convida o homem a obedecer sendo fiel dizimista.

Ne 10:38,39

     "O sacerdote, filho de Arão, estaria com os levitas(6) quando estes recebessem os dízimos, e os levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro.

Porque àquelas câmaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas do cereal, do vinho e do azeite, porquanto se acham ali os vasos do santuário, como também os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os cantores; e, assim, não desampararíamos a casa do nosso Deus."

d) A obediência faz abrir as janelas do céu, jogando por terra o poder dos gafanhotos.


II Co 9:5

     "Portanto, julguei conveniente recomendar aos irmãos que me precedessem entre vós e preparassem de antemão a vossa dádiva já anunciada, para que esteja pronta como expressão de generosidade e não de avareza."

Êx 23:15

     "Guardarás a Festa dos Pães Asmos; sete dias comerás pães asmos, como te ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe, porque nele saíste do Egito; ninguém apareça de mãos vazias perante mim."

e) Só a obediência e fidelidade nos dízimos impede o ataque.

Jl 2:14

     "Quem sabe se não se voltará, e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, uma oferta de manjares e libação para o Senhor, vosso Deus?"

CONSELHO BÍBLICO: Não brinque com esses gafanhotos! Muito o pouco, consagre seus dízimos ao Senhor. Só assim, Deus tem um compromisso de proteger seus patrimônios, bens e salários.

     A palavra Dízimo, que significa dez por cento, vem da palavra dez (10). Este número tipifica bênção, perfeição. Um exemplo disso são os dez dedos das mãos que Deus deu ao homem. E não se esqueça de que o homem não pode receber nada se do céu não lhe for dado. Cerca de 95% da vida de uma pessoa está estruturada sobre a área financeira. É por isso que o diabo ataca bastante esta área, pois estará destruindo 95% da vida desta pessoa.
 
(1) sarmento:

O caule lenhoso, o tronco da figueira.

(2) recalcada:

Comprimida
Imagine você colocando farinha em um saco, dando uma boa medida, sacudindo o saco para caber mais, comprimindo o seu conteúdo para mais ainda, deixando transbordar o saco até derramar para fora. É assim que se manifesta a bênção de Deus.

(3) pano de saco:

Um costume da lei dos judeus. Usava-se o pano de saco para "uivar, chorar". Era uma forma de demonstrar que a coisa estava ruim.



(4) libação:

Cerimônia de beber o vinho em honra de uma divindade (Deus).

(5) vide:

O mesmo que videira, ou seja, sua árvore de frutos.

(6) levitas:


Membros da tribo de Levi, sacerdotes da antiga Jerusalém.


O que deixou o gafanhoto cortador, comeu-o gafanhoto migrador; o que deixou o migrador, comeu-o o gafanhoto devorador; o que deixou o devorador, comeu-o o gafanhoto destruidor. (Joel 1:4)

PENSAMENTO: O profeta Joel, ministro da época do Rei Joás, visualizou uma invasão de gafanhotos (locustas, gafanhotos, pulgões, lagartos e insetos vorazes) profetizando uma invasão de exércitos inimigos. Esta realidade pode ser constatada atualmente nas crises financeiras. Elas agem contra patrimônios, casa, carro, provocam acidentes, destroem famílias, casamentos e comunidades, gerando miséria, desmoralizando, sujando nome, provocando vergonha, luta, dor, angústias... suicídio. Vamos estudar isso com profundidade e aprender como se livrar das suas ações.

     Geralmente, quando uma família evangélica se vê em dificuldades financeiras, a primeira atitude a ser tomada é cortar o dízimo. O compromisso com Deus acaba ficando sem importância, para segundo plano, sendo programado para voltar a ser entregue "quando a situação melhorar". Entenda agora porque este procedimento é perigoso para quem conhece a Palavra de Deus. Veja porque Deus é fiel à Sua Palavra, a tal ponto de não poder mudar as circunstâncias financeiras da sua vida, caso você esteja retendo mais do que lhe é justo...

1. A assolação dos gafanhotos.

 (Jl 1:4)

a) Cortador

- Age nas lavouras, estragando os frutos. Arruína a lavoura.

b) Migrador

- Age surpreendendo em bandos, aumentando o prejuízo feito pelo cortador.

c) Devorador

- Tipo violento que leva ao prejuízo e à falência.

d) Destruidor

- Poder de extermínio (escorpião): fere o agricultor e a família.


2. Os gafanhotos têm a sua estratégia.

Jl 1:6
 - Destroem dia e noite.

     "Porque veio um povo contra a minha terra, poderoso e inumerável; os seus dentes são dentes de leão, e ele tem os queixais de uma leoa."
3. Os gafanhotos têm uma ação específica.

Jl 1:7
- Comem folhas, destroçam figueiras, tiram a casca, os sarmentos tornam-se brancos, perdem as forças e ficam estéreis.

     "Fez de minha vide uma assolação, destroçou a minha figueira, tirou-lhe a casca, que lançou por terra; os seus sarmentos(1) se fizeram brancos."
4. As ações dos gafanhotos deixam sérias conseqüências.

Jl 1:12
- Vergonha, dor, lamento, pranto, luto, assolação, tristeza.
     "A vide se secou, a figueira se murchou, a romeira também, e a palmeira e a macieira; todas as árvores do campo se secaram, e já não há alegria entre os filhos dos homens."
5. Cada tipo de gafanhoto representa forças diabólicas que agem em patrimônios,
bens, salários e riquezas.


a) Cortador
- Atua na vida material do desobediente, come a renda, destrói o salário. Come através do cigarro, das bebidas, dos jogos de azar, remédios, eletrodomésticos, carro (quebram), roupas que se estragam - joga fora o dinheiro.

b) Migrador - Inconstante, age com prejuízos e despesas inesperadas.
c) Devorador - São arrasadores. Geram miséria, dor, dívidas, prejuízos, fome, insônia e desemprego. Suas vítimas têm sua casa e bens tomados; não conseguem pagar compromissos, são envolvidos em negócios desonestos e perigosos, seus bens são levados a leilão, sofrem ameaças de morte por dívidas, ficam sem crédito, sem moral e sem valor. Tornam-se um lixo, sendo rejeitadas até pelos amigos, só contam miséria e desgraça. Portas se fecham, são despejadas, tudo que fazem é em vão e são levadas ao alcoolismo e às drogas.

d) Destruidor - Induz ao suicídio, desastres, morte, pavor, só restam cinzas.

6. Satanás rouba de quatro maneiras.

Jl 1:7
- Assola, destroça, tira a casa, lança por terra.

     "Fez de minha vide uma assolação, destroçou a minha figueira, tirou-lhe a casca, que lançou por terra; os seus sarmentos se fizeram brancos."

7. Deus abençoa de quatro maneiras tudo o que fazem por ele ou por sua obra.

Lc 6:38
- Boa medida, sacudida, recalcada(2) e transbordante.

     "dai, e dar-se-vos-á; boa medida, recalcada, sacudida, transbordante, generosamente vos darão; porque com a medida que tiverdes medido vos medirão
também."
8. A sujeira deixada pelo gafanhoto.

- Comem 24 horas sem parar, defecam na mesma hora, sujando tudo. Quando agem na vida do homem, sujam seu nome, deixando-o sem crédito, sem moral, sem honra.
9. A invasão dos gafanhotos aconteceu porque o povo parou de contribuir.


Jl 1:13

     "Cingi-vos de pano de saco(3) e lamentai, sacerdotes; uivai, ministros do altar; vinde, ministros de meu Deus; passai a noite vestidos de saco; porque da casa de vosso Deus foi cortada a oferta de manjares e a libação(4)."


10. Como vencer o cortador, migrador, devorador e destruidor? Qual o antídoto?

 Como parar a ação deles? Como proteger nossos bens, patrimônios e salários? Qual o segredo para o cristão ter vitória sobre eles?

a) O dízimo é o antídoto de Deus - Só o dízimo repreende, impede de agir no patrimônio, em bens e em salários.

b) Há a garantia de Deus aos dizimistas.

Ml 3:10,11

     "Trazei todos os dízimos à casa do Tesouro, para que haja mantimento na minha casa; e provai-me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida.
Por vossa causa, repreenderei o devorador, para que não vos consuma o fruto da terra; a vossa vide(5) no campo não será estéril, diz o Senhor dos Exércitos."
c) Deus convida o homem a obedecer sendo fiel dizimista.

Ne 10:38,39

     "O sacerdote, filho de Arão, estaria com os levitas(6) quando estes recebessem os dízimos, e os levitas trariam os dízimos dos dízimos à casa do nosso Deus, às câmaras da casa do tesouro.

Porque àquelas câmaras os filhos de Israel e os filhos de Levi devem trazer ofertas do cereal, do vinho e do azeite, porquanto se acham ali os vasos do santuário, como também os sacerdotes que ministram, e os porteiros, e os cantores; e, assim, não desampararíamos a casa do nosso Deus."

d) A obediência faz abrir as janelas do céu, jogando por terra o poder dos gafanhotos.

II Co 9:5

     "Portanto, julguei conveniente recomendar aos irmãos que me precedessem entre vós e preparassem de antemão a vossa dádiva já anunciada, para que esteja pronta como expressão de generosidade e não de avareza."

Êx 23:15

     "Guardarás a Festa dos Pães Asmos; sete dias comerás pães asmos, como te ordenei, ao tempo apontado no mês de abibe, porque nele saíste do Egito; ninguém apareça de mãos vazias perante mim."

e) Só a obediência e fidelidade nos dízimos impede o ataque.


Jl 2:14

     "Quem sabe se não se voltará, e se arrependerá, e deixará após si uma bênção, uma oferta de manjares e libação para o Senhor, vosso Deus?"

CONSELHO BÍBLICO: Não brinque com esses gafanhotos! Muito o pouco, consagre seus dízimos ao Senhor. Só assim, Deus tem um compromisso de proteger seus patrimônios, bens e salários.

     A palavra Dízimo, que significa dez por cento, vem da palavra dez (10). Este número tipifica bênção, perfeição. Um exemplo disso são os dez dedos das mãos que Deus deu ao homem. E não se esqueça de que o homem não pode receber nada se do céu não lhe for dado. Cerca de 95% da vida de uma pessoa está estruturada sobre a área financeira. É por isso que o diabo ataca bastante esta área, pois estará destruindo 95% da vida desta pessoa.
 
(1) sarmento:

O caule lenhoso, o tronco da figueira.

(2) recalcada:

Comprimida
Imagine você colocando farinha em um saco, dando uma boa medida, sacudindo o saco para caber mais, comprimindo o seu conteúdo para mais ainda, deixando transbordar o saco até derramar para fora. É assim que se manifesta a bênção de Deus.

(3) pano de saco:

Um costume da lei dos judeus. Usava-se o pano de saco para "uivar, chorar". Era uma forma de demonstrar que a coisa estava ruim.

(4) libação:

Cerimônia de beber o vinho em honra de uma divindade (Deus).

(5) vide:

O mesmo que videira, ou seja, sua árvore de frutos.

(6) levitas:

Membros da tribo de Levi, sacerdotes da antiga Jerusalém.

ESTUDOS DOUTRINÁRIOS / UMA VISÃO DO TEXTO DO LIVRO DO APOCALIPSE

Uma visão geral do texto do 
livro de Apocalipse
O livro de Apocalipse demonstra, além de qualquer dúvida, o poder de Deus para vencer o diabo e seus servos. Para comunicar esta mensagem e encorajar os santos angustiados quando enfrentavam a perseguição, este livro convida os leitores a olhar "atrás dos cenários" para verem o lado espiritual das lutas que freqüentemente desafiam a fé.
O capítulo 1 apresenta um retrato de Jesus em todo o seu poder e glória. Freqüentemente pensamos em Jesus em cenas de aparente fragilidade. Por exemplo, podemos pensar num recém-nascido indefeso nos braços de sua mãe, ou numa figura moribunda, aparentemente vencida, suspensa a uma áspera cruz de madeira. Jesus foi um nenê. Ele morreu numa cruz. Mas Jesus é o vitorioso e poderoso "príncipe dos reis da terra" (1:5). Tudo o que se segue neste livro surge desta importante imagem de Cristo. Ele está no comando. Seus seguidores podem sofrer, mas nada têm a temer. No final, os justos serão vitoriosos!
Os capítulos 2 e 3 contêm cartas a sete igrejas na Ásia. Estas cartas seguem um padrão regular de:
Saudação.
Lembrança da posição de Jesus, que está enviando as cartas.
Ž Avaliação da condição da congregação (usualmente incluindo elogio das boas qualidades e crítica das falhas).
Apelo à ação (freqüentemente um chamado ao arrependimento, unido ao encorajamento a serem fiéis a despeito das dificuldades da situação deles).
Lembrança do galardão à espera daqueles que continuarem a servir fielmente.
Os capítulos 4 e 5 demonstram a posição do Pai e do Filho. Numa visão maravilhosa, João tem permissão para ver o trono de Deus, cercado por seus servos em adoração (capítulo 4). O próximo capítulo volta a atenção para Jesus que, por causa de sua vitória sobre a morte, é achado digno de abrir os selos do livro que revelará o plano de Deus para a vitória total sobre as forças de Satanás. Ele também merece louvor e adoração dos fiéis.
Nos capítulos de 6 até 20, se encontram numerosas demonstrações de vingança e punição. A maior parte da mensagem destes capítulos é organizada em séries de sete (sete selos, sete trombetas, sete taças da ira de Deus). Lembre-se de que o número sete simboliza a perfeição. A história nunca termina enquanto não chegamos à parte sétima e final. Em alguns pontos, durante a batalha, pode parecer que o diabo está ganhando a guerra. Este livro oferece esperança aos fiéis em que Deus e seu exército justo serão vitoriosos. Satanás não pode derrotar Jesus, e não pode vencer aqueles que permanecem fiéis ao Senhor.
Os capítulos 21 e 22 destacam a condição abençoada dos santos vitoriosos na presença de Deus. Os privilégios que foram perdidos por causa do pecado de Adão e Eva são restaurados nesta comunhão renovada entre Deus e o homem. Estes capítulos empregam muita da linguagem encontrada em outros textos proféticos para falar da relação dos discípulos fiéis com Cristo, nesta era presente. A bênção da presença de Deus, retratada aqui, também prenuncia a grandeza do céu. Encontramos aqui uma conclusão bela e esperançosa para a mensagem da Bíblia.

sábado, 5 de novembro de 2011

SERMÃO DE JOHN WESLEY - SOBRE A ETERNIDADE

SOBRE A ETERNIDADE
John Wesley

“Para todo o sempre, tu és Deus”. (Salmos 90:2)

1. Eu, de bom grado, falaria deste maravilhoso assunto, --- eternidade. Mas como podemos compreendê-lo em nosso pensamento? Ele é tão vasto, que a mente estreita do homem está completamente incapacitada disto. Mas ele não carrega alguma afinidade com outra coisa incompreensível, -- a imensidão? O espaço, embora uma coisa imaterial, pode ser comparada com a duração de outra coisa imaterial? O que é a imensidão? Ela é um espaço infinito. Ela é de duração infinita.

2. Eternidade tem geralmente sido considerada como divisível em duas partes; que são denominadas de eternidade, a parte anterior e a parte posterior, -- ou seja, em Inglês claro, aquela eternidade que é passado, e aquela eternidade vindoura. E não parece existir uma insinuação desta distinção no texto? “Tu és Deus desde sempre”: -- Aqui está uma expressão daquela eternidade que é passado: “Para sempre” – Aqui está uma expressão daquela eternidade que é vindoura. Talvez, na verdade, alguns possam pensar que não é estritamente apropriado dizer que existe uma eternidade que é passado. Mas o significado é facilmente entendido: Nós queremos dizer, por meio disto, a duração que não tem começo: quanto à eternidade vindoura, aquela duração que não tem fim.

3. É Deus apenas (para usar a linguagem sublime das Escrituras) quem “habita a eternidade”, em ambos os sentidos. O grande Criador apenas (não alguma de suas criaturas) é “de sempre a sempre”.  Sua duração apenas, já que ela não teve começo, então não pode ter algum fim. Nesta consideração é que alguém fala assim, ao endereçar-se a Emanuel, Deus conosco: --

Salve, Deus o Filho, com glória, coroado
Prévio ao tempo, que começou a existir,
Entronizado com Sua Vossa Majestade,
Por metade da esfera
Da ampla eternidade!

E novamente --
Salve, Deus o Filho, com glória, coroado
Prévio ao tempo, que deixará de existir;
Entronizado com o Pai,
Por toda a esfera,
De toda a eternidade!
  
4. “Antes que o tempo existisse”,  -- Mas o que é o tempo? Não é fácil dizer, tão freqüentemente quanto nós temos a palavra em nossas bocas. Nós não sabemos o que ele propriamente é. Não podemos satisfatoriamente defini-lo.Mas ele não é, no mesmo sentido, um fragmento da eternidade, interrompido em ambas as extremidades? – aquela porção de duração, que começou quando o mundo foi criado, que continuará por quanto tempo este mundo durar, e, então, expirará para sempre? – aquela porção dele, que é, no momento,  medido pelo movimento do sol e planetas; estendendo-se (por assim dizer), entre duas eternidades, a que é passado, e a que é vindoura. Mas, tão logo os céus e terras passarem da face Dele, que se senta no grande trono branco, o tempo não mais existirá; mas mergulhará para sempre no oceano da eternidade!

5. Mas, através de que meios, pode um homem mortal, uma criatura de um dia, formar alguma idéia da eternidade? O que podemos encontrar, no limite da natureza, para ilustrar isto? Com o que podemos comparar isto? O que existe que carrega alguma semelhança com isto? Não parece existir alguma espécie de analogia, entre a duração ilimitada, e o espaço infinito? O grande Criador, o Espírito infinito, habita, tanto em um, quando no outro. Esta é uma de suas peculiares prerrogativas: “Eu não preencho céu e terra, diz o Senhor?” – sim, não apenas as regiões mais extremas da criação, mas toda a expansão do espaço infinito! Entretanto, quantos dos filhos dos homens podem dizer:

Veja, numa estreita língua de terra,
Em meio a dois mares ilimitados, eu permaneço,
Seguro, inconsciente!
Um instante do tempo, um espaço momentâneo,
Remova-me para aquele lugar celestial,
Ou me encarcere no inferno!

6. Mas, deixando um desses mares infinitos para o Pai da eternidade, a quem somente a duração, sem começo, pertence, vamos nos concentrar na duração sem fim.  Este não é um atributo incomunicável do grande Criador; mas ele se agradou graciosamente de tornar inumeráveis multidões de suas criaturas, parceiras dela. Ele tem concedido isto, não apenas aos anjos, e arcanjos, e todas as companhias do céu, que não são pretendidos morrer, mas glorificarem a ele, e viverem em sua presença para sempre; mas também para os habitantes da terra, que habitam em casas de barro. Seus corpos, de fato, estão “destruídos diante da traça”; mas suas almas nunca morrerão; Deus as fez, como o escritor antigo fala, para sem “retratos de sua própria eternidade”.  Na verdade, todos os espíritos, nós temos motivos para acreditar, estão vestidos com a imortalidade; tendo nenhum principio interior de corrupção, e não estando inclinados à violência externa.

7. Talvez, possamos dar um passo além ainda: A própria matéria, assim como o espírito, não é em um sentido eterna? Nem, na verdade, a parte precedente, como alguns filósofos insensatos, tanto antigos, quanto modernos, têm sonhado. Não que alguma coisa tenha existido, desde a eternidade: observando-se que, se fosse assim, deveria ser Deus; sim, deveria ser, através do Deus Único; porque é impossível que houvesse dois Deuses, ou dois Eternos. Mas, embora nada além do grande Deus pode ter existido desde a eternidade , -- ninguém mais possa ser eterno na parte precedente; ainda assim, não existe absurdo em supor que todas as criaturas sejam eternas na parte posterior. Toda matéria, de fato, está continuamente mudando, e isto em dez mil formas; mas ela ser mutável, de maneira alguma, implica que é perecível. A substância pode permanecer uma e a mesma, embora sob inúmeras formas diferentes. É muito possível que alguma porção da matéria possa separar-se em átomos dos quais ela foi originalmente composta: Mas que razão temos para acreditar que algum desses átomos sempre foi, ou sempre será aniquilado? Ele nunca poderá, a menos, através do poder incontrolável de seu todo-poderoso Criador. E é provável que Ele sempre exercerá este poder em desfazer alguma das coisas que ele fez? Nisto também, Deus não é “um filho do homem, para que ele possa se arrepender”. Na verdade, toda criatura debaixo do céu muda, e deve continuamente mudar sua forma, o que nós podemos agora facilmente levar em consideração; uma vez que aparece claramente das recentes descobertas, que o fogo etéreo entra na composição de cada parte da criação. Agora, isto é essencialmente edax rerum [devorador do tempo]: É uma menstruum [substância], um discohere [solvente] universal de todas as coisas debaixo do sol. Através desta força  até mesmo os corpos mais fortes, os mais firmes são dissolvidos. Do experimento repetidamente feito pelo grande Lorde Bacon, aparece que, até mesmo os diamantes, através de um grau altíssimo de calor, pode virar pó: e que, em um grau ainda maior (estranho como isto possa parecer), desaparecer totalmente. Sim, através disto os próprios céus serão dissolvidos: “os elementos deverão se derreter, com o calor fervente”.  Mas eles serão apenas dissolvidos, e não destruídos; eles derreterão, mas não perecerão. Embora eles percam sua presente forma, ainda assim, nem uma partícula deles perderá, alguma vez, sua existência; mas cada átomo deles permanecerá, sob uma forma ou outra, para toda a eternidade.

8. Mas, ainda poderíamos inquirir: o que é esta eternidade? Como poderíamos emitir alguma luz sobre este assunto difícil? Ele não pode ser o objeto de nosso entendimento. E com que parâmetro poderíamos compará-lo? Quão infinitamente ele transcende todos esses! O que são quaisquer coisas temporais, colocadas em comparação com aquelas que são eternas? Qual é a duração de um carvalho longevo, de um castelo antigo, da Coluna de Trajano, do Anfiteatro de Pompéia? O que é a antigüidade das Urnas de Tuscano, embora provavelmente mais antiga do que a fundação de Roma; sim, das Pirâmides do Egito, supondo-se que elas tenham permanecido, por mais de três mil anos: -- quando colocados na balança com a eternidade? Isto desaparece no nada. Mais ainda, qual é a duração das “colinas eternas”, figurativamente assim chamada, que têm permanecido desde o dilúvio geral, se não, desde a fundação do mundo, em comparação com a eternidade? Não mais do que uma insignificante cifra, Para ir mais além, ainda: Considerem a duração, desde a criação dos primogênitos filhos de Deus, de Miguel, o Arcanjo, em especial, do momento em que ele for incumbido de soar a sua trombeta, e proferir sua voz poderosa, através da abóbada celeste: “Levantem-se, vocês que estão mortos, e venham para o julgamento!”. Não é um momento, um ponto, um nada, em comparação à eternidade insondável? Acrescente a isto mil, um milhão de anos, acrescente milhões de milhões de anos, “antes que as montanhas surgissem, ou a terra e o mundo redondo fosse feito”:  O que é tudo isto, em comparação com a eternidade, que é passado: Não é menos, infinitamente menos do que um dia, uma hora, um momento, para um milhão de eras! Voltem atrás milhões de anos ainda; mesmo assim, você não está nem perto do começo da eternidade.

9. Será que nós estamos mais capacitados a formar uma concepção mais adequada da eternidade vindoura? Com este objetivo, vamos comparar isto com os diversos graus de duração, com os quais estamos familiarizados – Uma efemérida vive seis horas; das seis da tarde à meia-noite. Esta é uma vida curta se comparada com aquela de um homem, que continua sessenta ou oitenta anos; e isto em si mesmo é curto, se comparado aos novecentos e sessenta e nove anos de Matusalém. Ainda assim, o que são esses anos, sim, todos os que sucederam um ao outro, desde o tempo que os céus e a terra foram criados, até o tempo, quando os céus passarão, e a terra com as obras dela serão queimadas, se compararmos isto com a extensão daquela duração que nunca terá fim?

10. Com o objetivo de ilustrar isto, um falecido autor repetiu aquele admirável pensamento de Cripriano: “Suponha que existisse uma bola de areia, tão grande quanto o globo terrestre: suponha que um grão desta areia fosse para ser aniquilado, reduzido a nada, em mil anos: ainda assim, todo aquele espaço de duração, em que esta bola seria aniquilada, no caso de um grão, em mil anos, seria infinitamente menor, em proporção à eternidade, duração sem fim, do que um simples grão de areia seria para toda a magnitude!”.

11. Para gravarem este ponto importante o mais profundamente em suas mentes, considerem uma outra comparação: -- Suponham que o oceano seja tão amplo, de maneira a incluir todo o espaço entre a terra e os céus estrelados. Suponham que uma gota deste fosse para ser aniquilada, em milhares de anos; ainda assim, todo aquele espaço de duração, em que este oceano seria aniquilado, no caso de uma gota em mil anos, seria infinitamente menor em comparação com a eternidade, do que uma gota de água para todo aquele oceano.

Observem, então, estes espíritos imortais, se eles estão neste ou no outro mundo. Quando eles deverão ter vivido milhares de milhares de anos, sim, milhões de milhões de eras, a duração deles será como se apenas começando: Eles estarão apenas no limiar da eternidade!

12. Mas, além desta divisão da eternidade, naquela que é passado, e naquela que é vindoura, existe uma outra divisão da eternidade, que é de inexprimível importância: Aquela que está por vir, quanto se refere aos espíritos imortais, é tanto eternidade feliz, quanto eternidade miserável.

13. Vejam os espíritos dos retos que já estão orando a Deus, na eternidade feliz! Nós estamos prontos a dizer: Quão breve ela parecerá àqueles que bebem dos rios de prazer à direita de Deus! Estamos prontos para clamar alto:

Um dia, sem noite,
Eles habitam às vistas Dele,
Uma eternidade parece como um dia

Mas, isto é apenas falar, segundo a maneira de homens: Porque as medidas de muito e pouco são apenas aplicáveis ao tempo que admite limite, e não para o de duração ilimitada. Este gira (de acordo com nossas concepções inferiores) com velocidade indizível e inconcebível; se alguém, preferivelmente não disser que ele não gira ou se move, afinal, mas é um oceano ainda imóvel.  Porque os habitantes do céu, “não descansam dia e noite”, mas continuamente clamam: “Santo, santo, santo, é o Senhor, e Deus, e Altíssimo, que viu, e que é, e que virá!”. E, quando milhões e milhões de eras passarem, a eternidade deles terá apenas começado.

14. Por outro lado, em que condição, estes espíritos imortais que têm feito a escolha de uma eternidade miserável! Eu digo, feito a escolha; porque é impossível que esta possa ser a sina de alguma criatura, a não ser através de seu próprio ato e feito. O dia está chegando, quando toda alma será constrangida a reconhecer, à vista de homens e anjos:

Nenhum decreto terrível de ti selaria
Ou fixaria a inalterável sentença
Confiaria minha alma inata ao inferno,
Ou me condenaria do útero de minha mãe.

Em que condição, tal espírito estaria depois da sentença executada: “Parta, você amaldiçoado, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos!”.  Suponha que ele esteja exatamente agora mergulhado no “lago de fogo ardente com enxofre”, onde “eles não têm descanso, dia ou noite, a não ser a fumaça de seus tormentos subindo, sempre e sempre”. “Para sempre e sempre!”. Porque, se nós fossemos ficar presos um dia, sim, uma hora, em um lago de fogo, quão espantosamente longo parecia um dia ou uma hora! Eu não sei se não pareceria como mil anos. Mas (pensamento terrível), depois de milhares e milhares, ele teria apenas testado de seu cálice amargo! Depois de milhões, não estaria mais perto do fim do que se estivesse no momento em que ele começou!

15. Quem é este, então, – quão tolo, quão louco, e que grau indescritível de distração – que, parecendo ter o entendimento de um homem, deliberadamente prefere as coisas temporais às eternas? Quem (admitindo este absurdo, oposição incrível, de que a maldade é felicidade, -- uma suposição extremamente contrária a toda razão, assim como ao fato) prefere a felicidade de um ano, digamos mil anos, à felicidade da eternidade, em comparação a qual, mil anos são infinitamente menos do que um ano, um dia, um momento? Especialmente, quando tomamos isto em consideração (o que, de fato, nunca deveria ser esquecido) que o recusar a eternidade feliz, implica a escolha da eternidade miserável: Porque não existe, não pode existir, meio termo entre alegria eterna e dor eterna. É um pensamento inútil que alguns têm nutrido, de que a morte porá um fim, nem em um, nem em outro: isto apenas altera a maneira da existência delas. Mas, quando o corpo “retornar para o pó como ele era, o espírito retornará a Deus que o deu”.  Portanto, no momento da morte, deve ser inexplicavelmente feliz, ou inexplicavelmente miserável.  E esta miséria nunca terminará.

Nunca! Onde mergulha a alma naquele terror imenso?
Em um abismo, quão escuro, e quão profundo!

Quão freqüentemente ele, que fez a escolha desprezível, deseja pela morte, ambas da alma e corpo! Não é impossível que ele orasse de tal maneira como Dr. Young supõe:

Quando eu tiver me contorcido, dez mil anos no fogo,
Dez mil vezes mil, permita-me, então, expirar!

16. Ainda assim, esta inexplicável tolice, esta loucura indescritível, de preferir as coisas presentes à eterna, é a doença de todo homem no mundo, enquanto em seu estado natural. Porque tal é a constituição de nossa natureza, já que os olhos vêem apenas tal porção do espaço, de uma só vez, então, a mente vê apenas tal porção de tempo, de uma só vez. E uma vez que todo o espaço que se estende além daquela esfera é invisível para  a mente. Assim sendo, nós não percebemos quer o espaço ou o tempo que está a uma distância de nós. Os olhos vêem distintamente o espaço que está perto dele, com os objetos que ele contém: De igual maneira, a mente vê distintamente aqueles objetos que estão dentro de tal distância de tempo. Os olhos não vêem as belezas da China: Eles estão a uma grande distância. Existe um espaço muito grande, entre nós e eles: Conseqüentemente, não somos afetados por eles. Eles são como nada para nós: É exatamente o mesmo para nós, como se eles não existissem. Pela mesma razão, a mente não vê, quer as belezas ou os terrores da eternidade. Nós não somos afetados, afinal, por eles, porque eles estão também distantes de nós.  Por esta razão, é que eles parecem como nada para nós: exatamente como se eles não tivessem existência. Entretanto, somos totalmente estimulados com as coisas presentes, seja no tempo ou no espaço; e as coisas parecem cada vez menores, à medida que estão mais e mais distantes de nós, quer em um respeito ou em outro. E assim deve ser: tal é a constituição de nossa natureza; até que a natureza seja mudada pela graça onipotente. Mas isto não é forma de desculpas para aqueles que continuam em sua cegueira natural para a futuridade: porque um remédio para isto é fornecido, o qual é encontrado por todos que o buscam: Sim. Ele é livremente dado a todos que sinceramente pedem por ele.

17. Este remédio é a fé. Eu não quero dizer aquela que é a fé de um pagão, que acredita que existe um Deus, e que ele é um recompensador daqueles que diligentemente o buscam; mas aquela que é definida pelo Apóstolo: “uma evidência”, ou convicção, “das coisas não vistas”;  uma evidência e convicção divina do mundo invisível e eterno. Esta apenas abre os olhos do entendimento, para ver Deus e as coisas de Deus. Esta, por assim dizer, tira fora ou atribui transparência ao véu impenetrável...

O qual sustenta a ‘giro da existência mortal e imortal,
quando a fé empresta sua luz realizadora,
as nuvens se dispersam, as sombras fogem,
o invisível aparece aos olhos,
e Deus é visto pelo olho mortal.
           
Assim sendo, um crente, no sentido bíblico, vive na eternidade, e caminha na eternidade. Seu panorama é alargado: Sua visão não é mais limitada pelas coisas presentes: Não; nem pelo hemisfério terrestre. Embora fosse, como Milton fala; “dez vezes mais o comprimento deste terreno”. A fé coloca o mundo invisível e eterno continuamente diante de sua face. Conseqüentemente, ele não olha para “as coisas que são vistas”;

Riqueza, honra, prazer, ou o que for
Que este mundo passageiro pode dar

Estes não são os objetivos dele, o objeto de sua busca, seu desejo ou felicidade; -- mas “as coisas que não são vistas”; no favor, imagem e glória de deus; assim como sabendo que “as coisas que são vistas são temporais”,  -- um vapor, uma sombra, um sonho que desaparece; enquanto que “as coisas que não são vistas são eternas”; reais, sólidas, imutáveis.

18. O que, então, pode ser uma ocupação mais conveniente para um homem sábio, do que meditar sobre essas coisas? Freqüentemente expandir seus pensamentos “além dos limites desta esfera diurna”,  e vaguear acima, atém mesmo, dos céus estrelados, no campo da eternidade? Quais meios existiriam para confirmar seu desprezo pelas coisas pobres e pequenas da terra! Quando um homem de grandes posses estava vangloriando-se para seu amigo da extensão de sua propriedade, Sócrates pediu que ele trouxesse um mapa da terra, e apontou Ática [região da Grécia antiga, próxima a Atenas] nele. Quando isto foi feito (embora não muito facilmente, já que se tratava de uma região pequena), ele em seguida pediu que Alcebíades indicasse sua própria propriedade nele. Quando ele não pôde fazer isto, foi fácil observar quão insignificantes eram as posses, pelas quais ele estava tão orgulhoso de si mesmo, em comparação à toda terra. Quão aplicável é isto para o presente caso! Alguém se vangloria de suas posses terrenas? Ai de mim, o que é todo o globo terrestre para o espaço infinito! Uma mera partícula da criação. E o que é a vida do homem, sim, a duração da própria terra, a não ser uma partícula de tempo, se comparada com a extensão da eternidade! Pense sobre isto: Deixe isto mergulhar em seus pensamentos, até que você tenha alguma concepção, mesmo que imperfeita daquele abismo, enorme, insondável, sem um fundo ou margem

19. Mas, se a nua eternidade, por assim dizer, for um objeto tão imenso, tão espantoso, de maneira a oprimir seu pensamento, como ela ainda amplia a idéia de observá-la revestido de felicidade ou miséria? Bem-aventurança eterna ou dor! Felicidade eterna, ou miséria eterna! Alguém poderia pensar que ela absorveria todo outro pensamento em toda criatura razoável.  Permita-me apenas isto, -- “Tu estás na iminência tanto da eternidade feliz quanto miserável; teu Criador te ordena agora a esticar tua mão, quer em direção a uma ou a outra”; -- e alguém imaginaria que nenhuma criatura racional poderia pensar sobre alguma coisa mais. Alguém poderia supor que este ponto simples monopolizaria toda a atenção dele. Certamente, ele deveria assim fazer: Certamente, se essas coisas são assim, pode existir a não ser uma coisa necessária . Ó, que você e eu, pelo menos, o que quer que outros façam, escolhamos aquela melhor parte que nunca deverá ser tirada de nós!.

20. Antes que eu encerre este assunto, permita-me tocar em duas passagens notáveis em Salmos (uma no oitavo, a outro, centésimo quadragésimo quarto), que tem uma relação próxima a isto. A primeira é: “Quando contemplo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste, que é o homem, para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?”. Aqui o homem é considerado como uma cifra, um ponto, comparado com a imensidade. A última é: “Ó Senhor, que é o homem, para que tomes conhecimento dele, e o filho do homem, para que o consideres? O homem é semelhante a um sopro; os seus dias são como a sombra que passa?”. Este não é um pensamento que tem golpeado muitas mentes sérias, assim como ele o fez com Davi e criou uma espécie de temor, que se ergue de uma espécie de suposição de que Deus é tal como nós mesmos? Se nós considerar o espaço infinito, ou a duração infinita, nós retrocedemos ao nada antes dele. Mas Deus não é um homem. Um dia, e milhões de anos, são a mesma coisa para ele. Portanto, existe a mesma desproporção entre Ele a algum ser finito, como entre Ele e a criatura de um dia. Portanto, quando quer que o pensamento ocorra,; quando quer que você seja tentado a temer, a fim de que não possa ser esquecido perante o imenso e eterno Deus, lembre-se que nada é pequeno ou grande; que nenhuma duração é longa ou curta, perante Ele. Lembre-se que Deus ita praesidet singulis sicut universis, et universis sicut singulis: Que ele “governa cada criatura individual, como se fosse o universo; e o universo, como se fosse cada indivíduo”.  De maneira que você pode corajosamente dizer:

Pai, quão amplamente tua glória brilha,
Senhor do universo --- e meu!
Tua bondade zela pelo todo,
Como se o mundo todo fosse uma só alma;
Ainda assim, considera cada um dos meus cabelos, sagrado,
Enquanto permaneço em teu simples cuidado!

[Editado por Shane Campbell, estudante da  Northwest Nazarene College (Nampa, ID), com correções de George Lyons para a Wesley Center for Applied Theology.]